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Ciência analisa se a posição do uso do celular pode, de fato, apresentar riscos ao corpo humano

Ainda não há provas suficientes à disponibilização de um resultado concreto, com 100% de precisão. No entanto, cientistas consideram potenciais riscos, envolvendo ondas emitidas pelos dispositivos

Maria Clara Pasqualeto

Publicado em 02/03/2026 às 21:32

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Especialistas explicam que celulares emitem radiações não ionizantes, semelhantes às de rádio e micro-ondas de baixa frequência, mas ainda alvo de estudos científicos / Freepik

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Muitas pessoas utilizam seus celulares da forma que acreditam ser mais conveniente e confortável. Seja dormir com o aparelho ao seu lado ou até mesmo carregá-lo durante todo o dia em sua bolsa... esses hábitos podem parecer indiferentes e comuns. No entanto, podem causar amplos impactos negativos e, inclusive, riscos.

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Os potenciais danos são consequências das radiações emitidas pelos dispositivos. O professor Vincenzo Schettini, criador do canal do YouTube "A Física que a gente gosta", aborda o assunto em um de seus vídeos, explicando a diferença entre as ondas ionizantes e não ionizantes.

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O que são as ondas ionizantes e não ionizantes?

Em geral, os processos de radiação são divididos em ionizantes e não ionizantes. O primeiro tipo (ionizante) contém tanta energia que é suficiente para arrancar elétrons, danificando o DNA.

Já as não ionizantes não apresentam impactos tão profundos, ao menos não ao corpo humano: são radiações de baixa frequência, com potencial para vibração e aquecimento de moléculas. Por isso, estão presentes em recursos como a radiação ultravioleta, infravermelha, além do micro-ondas e das ondas de rádio.

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Contudo, talvez você esteja se perguntando o que tudo isso tem a ver com o celular, especificamente. Neste caso, a comunidade científica internacional confirma que esses dispositivos emitem e recebem ondas com frequência semelhante às de um rádio ou micro-ondas, pertencentes ao grupo de radiação não ionizante.

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Apesar de os elementos não serem fundamentalmente perigosos, a exposição excessiva, em tese, pode causar riscos à saúde, incluindo distúrbios neurológicos e até mesmo tumores na cabeça. No entanto, isso só aconteceria em frequências extremamente altas, tais como os níveis de radiação presentes em fornos de micro-ondas, representando riscos quase irreais no cotidiano.

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Para evitar potenciais perigos, a física clássica explica que a intensidade do campo eletromagnético diminui exponencialmente com o aumento da distância do aparelho. Ou seja, quanto mais longe alguém estiver do celular, menores são as radiações. Dados mostram que, a 20 centímetros, a exposição cai em mais de 90%.

Apesar de possíveis relações, a Associação Italiana de Pesquisa sobre o Câncer (AIRC) reforça que não há provas conclusivas que liguem o uso do celular ao desenvolvimento de tumores cerebrais. Unsplash/Vitaly Gariev
Apesar de possíveis relações, a Associação Italiana de Pesquisa sobre o Câncer (AIRC) reforça que não há provas conclusivas que liguem o uso do celular ao desenvolvimento de tumores cerebrais. Unsplash/Vitaly Gariev
Usar fones, ativar o viva-voz e evitar dormir com o celular sob o travesseiro são medidas simples recomendadas por especialistas para reduzir a exposição desnecessária. Freepik/@benzoix
Usar fones, ativar o viva-voz e evitar dormir com o celular sob o travesseiro são medidas simples recomendadas por especialistas para reduzir a exposição desnecessária. Freepik/@benzoix
Segundo princípios da física, a intensidade do campo eletromagnético diminui conforme o aparelho se afasta do corpo: A 20 centímetros, a exposição pode cair mais de 90%. Unsplash/Julio Lopez
Segundo princípios da física, a intensidade do campo eletromagnético diminui conforme o aparelho se afasta do corpo: A 20 centímetros, a exposição pode cair mais de 90%. Unsplash/Julio Lopez
A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) classifica campos de radiofrequência como "possivelmente cancerígenos" (categoria 2B), com evidências limitadas. Unsplash/Kamal Uddin
A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) classifica campos de radiofrequência como "possivelmente cancerígenos" (categoria 2B), com evidências limitadas. Unsplash/Kamal Uddin
Especialistas explicam que celulares emitem radiações não ionizantes, semelhantes às de rádio e micro-ondas  de baixa frequência, mas ainda alvo de estudos científicos. Freepik
Especialistas explicam que celulares emitem radiações não ionizantes, semelhantes às de rádio e micro-ondas de baixa frequência, mas ainda alvo de estudos científicos. Freepik

O que a ciência diz sobre esses riscos à saúde?

A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) foi responsável por classificar campos de radiofrequência como possivelmente cancerígenos para humanos. Os potenciais impactos englobam a categoria 2B, apresentando evidências limitadas e não necessariamente conclusivas.

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Já a Associação Italiana de Pesquisa sobre o Câncer (AIRC) reforça ainda mais o último ponto. Cientistas destacam que ainda não há provas concretas que sustentem uma relação direta de causa e efeito entre a exposição a campos eletromagnéticos e o surgimento de tumores cerebrais.

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O comunicado mais recente fornecido pela AIRC foi em 22 de outubro de 2024. A organização afirmou: "As provas disponíveis não são suficientes para afirmar que existe um vínculo, especialmente com os celulares da nova geração".

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'Recado' da ciência

Apesar dos riscos ainda não serem claros, cientistas alertam: O monitoramento deve ser essencial e as pesquisas devem continuar.

Para mais informações sobre o assunto, confira o vídeo abaixo do professor Vicenzo Schettini. Como o vídeo está em italiano, é possível colocar as legendas com tradução automática para português ou a dublagem automática, recurso disponível pelo YouTube.

Para colocar as legendas automática: Vá em detalhes, no canto inferior direito da tela do vídeo - Legendas - Traduzir automaticamente - Escolha o idioma de preferência

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Hábitos simples recomendados

Para evitar e se prevenir dos possíveis riscos mencionados, alguns hábitos simples e acessíveis, mas de extrema importância são recomendados por Schettini. Confira as opções logo abaixo. 

1 - Celular encostado ao ouvido, durante ligações

Visto que o uso prolongado do aparelho aumenta a exposição, o especialista italiano recomenda utilizar o viva-voz ou fones de ouvidos, mantendo o aparelho a uma distância adequada. A apenas 10 ou 20 centímetros, a intensidade do campo já diminui drasticamente. 

2 - Uso de fones de ouvido (com ou sem fio)

Os fones de ouvido com fio acabam transmitindo o som por intermédio de um condutor, sem emissões eletromagnéticas relevantes. No entanto, os fones Bluetooth operam com tecnologia de baixa potência, emitindo radiação aproximadamente 100 vezes menor do que o dispositivo celular.

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3 - Celular no bolso 

Principalmente quando se tratam de regiões mais sensíveis do corpo, guardar o celular enquanto o aparelho mantém esse contato direto com o indivíduo pode não ser bom, gerando exposição contínua.

O perigo aumenta ainda mais quando o sinal está fraco, ampliando a potência de emissão à busca de redes. Logo, a recomendação é deixá-lo dentro de uma bolsa ou mochila. 

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4 - Celular na cabeceira à noite

Quando localizado a mais de 50 centímetros da cabeça, a posição é considerada preocupante, segundo os princípios físicos. Por precaução, recomenda-se não dormir com o aparelho debaixo do travesseiro, prevenindo o contato corporal, por menor que seja. O ideal é deixá-lo em uma superfície afastada, ou até mesmo em outro cômodo. 

Schettini conclui que, embora não existam evidências concretas sobre os prejuízos causados pelo celular, pequenas mudanças de hábito podem reduzir a exposição desnecessária, mas sem comprometer a utilização tecnológica.

*O texto contém informações dos portais BBC e VX Medical Innovation

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