A cidade de Paulínia, no interior de São Paulo, ficou conhecida por seu ambicioso projeto de se tornar a “Hollywood brasileira”. Localizada a 120 quilômetros da capital paulista, na Região Metropolitana de Campinas, o município investiu quase meio bilhão de reais para erguer um grande polo cinematográfico.
O investimento contou com estúdios modernos, escritórios e até uma escola de cinema. O objetivo era transformar a cidade em um dos principais centros de produção audiovisual do país.
Com essa estrutura de ponta, Paulínia atraiu diversas produções nacionais e internacionais, além de astros do cinema e da televisão.
Grandes nomes do cinema brasileiro, como Fernanda Montenegro, Selton Mello e Tony Ramos, passaram pelo município, assim como estrelas internacionais, como Danny Glover, da franquia Máquina Mortífera, e Michael Madsen, de Kill Bill.
O desenvolvimento desse polo cinematográfico ocorreu em meio à alta arrecadação da cidade, impulsionada principalmente pela Refinaria de Paulínia (Replan), a maior da Petrobras, instalada no município desde 1970.
Com os cofres cheios, o então prefeito Edson Moura decidiu diversificar as fontes de receita da cidade e colocou Paulínia no mapa da cultura.
Inclusive, a cidade foi a mais rica do Brasil em 2017, alcançado o topo do PIB per capita nacional, registrando uma riqueza estimada em R$ 344,8 mil por habitante.
A aposta foi grande: o complexo cinematográfico chegou a contar com seis estúdios, cidade cenográfica, uma escola de cinema e o imponente Teatro Municipal de Paulínia.
Para incentivar a produção audiovisual, a prefeitura lançou editais de patrocínio, que chegaram a prever R$ 8,98 milhões apenas em 2014. Ao longo dos anos, mais de 40 filmes foram rodados na cidade, entre eles Salve Geral (2009), Chico Xavier (2010), O Palhaço (2011) e Bruna Surfistinha (2011).
Além das filmagens, Paulínia também se destacou como palco do Paulínia Film Festival, um dos mais importantes festivais de cinema do Brasil.
Realizado sete vezes, o evento ajudou a consolidar a cidade como um centro de referência para o setor audiovisual. No entanto, a falta de continuidade nas gestões municipais acabou comprometendo a estabilidade do projeto.
O primeiro cancelamento do festival ocorreu em 2012, mas o evento retornou em 2014, mas foi cancelado novamente no ano seguinte, sob alegação de crise financeira e problemas com contratos.
A instabilidade política da cidade foi um fator determinante para o fim do sonho cinematográfico: desde 2009, Paulínia teve 18 prefeitos diferentes, em meio a uma série de cassações e disputas jurídicas.
Sem investimentos contínuos e com dificuldades administrativas, o projeto de transformar Paulínia na Hollywood brasileira durou menos do que o esperado.
Apesar disso, a cidade ainda carrega em sua história o legado de ter sido um dos principais polos cinematográficos do país, marcando época no cinema nacional.
