Cidade do interior de SP é a ‘Hollywood brasileira’ e recebeu grandes astros

O desenvolvimento desse polo cinematográfico ocorreu em meio à alta arrecadação da cidade

Fernanda Montenegro foi uma das estrelas da edição 2014 do festival de cinema

Fernanda Montenegro foi uma das estrelas da edição 2014 do festival de cinema | Aline Arruda

A cidade de Paulínia, no interior de São Paulo, ficou conhecida por seu ambicioso projeto de se tornar a “Hollywood brasileira”. Localizada a 120 quilômetros da capital paulista, na Região Metropolitana de Campinas, o município investiu quase meio bilhão de reais para erguer um grande polo cinematográfico. 

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O investimento contou com estúdios modernos, escritórios e até uma escola de cinema. O objetivo era transformar a cidade em um dos principais centros de produção audiovisual do país.

Com essa estrutura de ponta, Paulínia atraiu diversas produções nacionais e internacionais, além de astros do cinema e da televisão. 

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Grandes nomes do cinema brasileiro, como Fernanda Montenegro, Selton Mello e Tony Ramos, passaram pelo município, assim como estrelas internacionais, como Danny Glover, da franquia Máquina Mortífera, e Michael Madsen, de Kill Bill. 

O desenvolvimento desse polo cinematográfico ocorreu em meio à alta arrecadação da cidade, impulsionada principalmente pela Refinaria de Paulínia (Replan), a maior da Petrobras, instalada no município desde 1970. 

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Com os cofres cheios, o então prefeito Edson Moura decidiu diversificar as fontes de receita da cidade e colocou Paulínia no mapa da cultura.

Inclusive, a cidade foi a mais rica do Brasil em 2017, alcançado o topo do PIB per capita nacional, registrando uma riqueza estimada em R$ 344,8 mil por habitante.

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A aposta foi grande: o complexo cinematográfico chegou a contar com seis estúdios, cidade cenográfica, uma escola de cinema e o imponente Teatro Municipal de Paulínia. 

Para incentivar a produção audiovisual, a prefeitura lançou editais de patrocínio, que chegaram a prever R$ 8,98 milhões apenas em 2014. Ao longo dos anos, mais de 40 filmes foram rodados na cidade, entre eles Salve Geral (2009), Chico Xavier (2010), O Palhaço (2011) e Bruna Surfistinha (2011).

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Além das filmagens, Paulínia também se destacou como palco do Paulínia Film Festival, um dos mais importantes festivais de cinema do Brasil. 

Realizado sete vezes, o evento ajudou a consolidar a cidade como um centro de referência para o setor audiovisual. No entanto, a falta de continuidade nas gestões municipais acabou comprometendo a estabilidade do projeto.

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O primeiro cancelamento do festival ocorreu em 2012, mas o evento retornou em 2014, mas foi cancelado novamente no ano seguinte, sob alegação de crise financeira e problemas com contratos. 

A instabilidade política da cidade foi um fator determinante para o fim do sonho cinematográfico: desde 2009, Paulínia teve 18 prefeitos diferentes, em meio a uma série de cassações e disputas jurídicas.

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Sem investimentos contínuos e com dificuldades administrativas, o projeto de transformar Paulínia na Hollywood brasileira durou menos do que o esperado. 

Apesar disso, a cidade ainda carrega em sua história o legado de ter sido um dos principais polos cinematográficos do país, marcando época no cinema nacional.