parque da Nascença protege a fonte, mas o crescimento urbano já exige novas decisões / Banco de imagens
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Conta de água alta e medo de seca fazem parte do cotidiano de muitos brasileiros. Em Itapororoca, no interior da Paraíba, a realidade é outra: a cidade atravessou mais de seis décadas com água gratuita.
Desde 1961, moradores não pagam pelo abastecimento. Uma nascente natural dá conta de residências, comércios e prédios públicos, mantendo um fluxo contínuo e transformando um recurso essencial em rotina sem cobrança.
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O diferencial virou atração turística e motivo de orgulho local. Ao mesmo tempo, o avanço populacional trouxe um desafio prático: manter o abastecimento estável para uma cidade muito maior do que a de décadas atrás.
Em Itapororoca, o abastecimento se apoia em uma fonte considerada única na região. Ela funciona de forma contínua e reduz a dependência de soluções complexas para levar água aos pontos de consumo.
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A distribuição ocorre por gravidade, apoiada por uma rara “anomalia hidrogeológica”. Essa característica permite que o recurso seja absorvido e distribuído naturalmente, mantendo a regularidade do sistema ao longo do tempo.
O Parque da Nascença reúne a área de preservação que protege a fonte e, por isso, é peça-chave do abastecimento. O local se tornou símbolo da cidade e ganhou importância no dia a dia dos moradores.
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Além disso, o parque atrai visitantes. Piscinas naturais e um pequeno balneário colocam o espaço no roteiro de quem busca experiências ligadas à natureza e quer conhecer a cidade onde a água é gratuita.
A Ecotrilha da Nascença conduz turistas e moradores por um trajeto com árvores centenárias, história local e formações rochosas de origem vulcânica. O percurso reforça a conexão entre ambiente e abastecimento.
Essas rochas atuam como reservatório natural: filtram e armazenam a água que chega às torneiras. Por isso, o ecoturismo caminha junto com a conservação, que sustenta a própria lógica do abastecimento local.
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Com o tempo, a população aumentou. O sistema que atendia cerca de mil famílias passou a precisar suprir mais de 5 mil residências apenas na zona urbana, elevando a pressão sobre a estrutura existente.
Esse crescimento colocou o tema no centro das decisões do município. A prioridade é garantir que o abastecimento siga contínuo, evitando que a expansão urbana comprometa o equilíbrio que manteve a água gratuita por décadas.
Para lidar com a nova realidade, a concessão do serviço à Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) já foi aprovada. A medida sinaliza uma transição na gestão do abastecimento.
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Apesar disso, ainda não há data para a mudança. Até que a nova etapa comece, Itapororoca mantém o modelo que marcou sua história: água distribuída sem cobrança direta aos moradores.