Cidade litorânea paulista guarda um marco que transformou a democracia brasileira e mundial / Benedito Calixto/ Rep.: Museu Paulista da USP
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Muito além de ser a primeira cidade do Brasil e já ter sido atingida até por um tsunami, um município do litoral paulista guarda um título histórico que poucos conhecem: foi palco da primeira eleição das Américas, realizada em 1532, um marco para a democracia no continente.
Na época, o direito ao voto era restrito, mas esse momento abriu caminho para a organização política que, séculos depois, garantiria a todos os brasileiros o direito de escolher seus representantes.
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Quase 500 anos depois, o legado da pequena vila se mantém vivo, lembrando que o embrião da democracia que conhecemos hoje nasceu em território vicentino.
Em 22 de agosto de 1532, a então Vila de São Vicente viveu um episódio inédito: os moradores escolheram os primeiros membros da Câmara Municipal. Era o início de uma participação política organizada nas Américas.
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Apesar das limitações da época, em que apenas os “homens bons” — brancos, da elite portuguesa e militares — podiam votar, o ato representou uma ruptura importante com o modelo de governo exclusivo da Coroa Portuguesa.
Segundo a obra “Eleições no Brasil”, do Tribunal Superior Eleitoral, a eleição tinha várias etapas e exigia regras detalhadas, revelando um sistema surpreendentemente sofisticado para a época.
Naquele tempo, os “homens bons” indicavam seis nomes ao escrivão, e os mais votados viravam eleitores. Depois, o juiz mais velho formava duplas com eles, evitando parentesco e qualquer troca de informações.
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Essas duplas elaboravam listas com nomes para vereadores, procuradores e juízes. As listas eram então organizadas em composições anuais, definindo quem ocuparia cada cargo nos anos seguintes.
Por fim, os nomes eram sorteados no chamado “pelouro”: pequenos recipientes guardados em uma arca trancada com três chaves, cada uma sob a responsabilidade de um vereador eleito, garantindo segurança ao processo.
Com o passar dos séculos, o direito ao voto foi sendo ampliado. Primeiro, apenas cidadãos letrados; depois, mulheres, analfabetos e jovens a partir de 16 anos também conquistaram sua voz nas urnas.
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O que começou como privilégio de poucos se transformou em direito universal, garantido pela Constituição, e hoje é a base da democracia brasileira e da cidadania.
Celebrar o passado de São Vicente é lembrar que, mesmo com suas limitações, a vila paulista foi o ponto de partida da vida política organizada no Brasil e em toda a América.