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Carnabonde: a alguns metros da folia e do samba em Santos, um fantasma chora no portão do cemitério

Vestida de luto e com um véu cobrindo o rosto, ela se ajoelhava no gradil da Rua Dr. Cochrane, enxugava as lágrimas com um lenço e acenava para dentro da necrópole

Jeferson Marques

Publicado em 10/02/2026 às 15:48

Atualizado em 10/02/2026 às 15:54

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Há poucos metros da folia no centro de Santos vive um fantasma... / Imagem ilustrativa/Gemini

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O Carnaval no Centro Histórico de Santos é um encontro entre a festa e a memória. Mas, enquanto o Carnabonde apita na Praça Mauá, o bairro do Paquetá guarda o eco de uma tragédia do final do século XIX que a cidade nunca esqueceu: a história de Maria M., a mulher que desafiou os costumes da alta sociedade por um amor proibido.

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O Filho do Escândalo

Maria era uma jovem de família abastada que frequentava a antiga Matriz de Santos. Sua vida mudou drasticamente ao se envolver com um alto clérigo da igreja. Desse relacionamento proibido, nasceu uma criança, fruto de um amor que a elite santista da época tentou apagar a qualquer custo.

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Expulsa de casa pela família e rejeitada pela sociedade, Maria viu sua dor aumentar quando seu filho faleceu com apenas sete dias de vida (vítima do chamado "mal de sete dias"). O bebê foi enterrado na quadra infantil do Cemitério do Paquetá, e Maria, sem mais nada no mundo, passou a viver em função daquele pequeno túmulo, que só podia visitar quando todos estivessem dormindo, evitando xingamentos e agressões da população da época.

O portão de entrada do Paquetá, onde Maria é vista em algumas noites / Prefeitura de Santos
O portão de entrada do Paquetá, onde Maria é vista em algumas noites / Prefeitura de Santos
O local é conhecido pela sua belíssima arte tumular e atrai centenas de pessoas por mês / Prefeitura de Santos
O local é conhecido pela sua belíssima arte tumular e atrai centenas de pessoas por mês / Prefeitura de Santos
Muitas celebridades e nomes importantes estão sepultados na necrópole santista / Prefeitura de Santos
Muitas celebridades e nomes importantes estão sepultados na necrópole santista / Prefeitura de Santos
Há alguns metros da melancolia de Maria, ocorre o Carnabonde / Prefeitura de Santos
Há alguns metros da melancolia de Maria, ocorre o Carnabonde / Prefeitura de Santos

A Vigília da Meia-Noite

A lenda conta que Maria ia todas as noites ao portão do cemitério, pontualmente à meia-noite, para chorar e velar o filho. Vestida de luto e com um véu cobrindo o rosto, ela se ajoelhava no gradil da Rua Dr. Cochrane, enxugava as lágrimas com um lenço e acenava para dentro, em direção à sepultura da criança.

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A visão daquela mulher solitária e sofrida assustava os moradores, que passaram a chamá-la de "O Fantasma do Paquetá". A história foi tão marcante que, em julho de 1900, a polícia chegou a cercar o cemitério com cavalaria para tentar "capturar" a aparição, mas Maria nunca foi detida; ela definhou em tristeza e solidão pouco tempo depois.

O Carnaval e a Saudade

Neste fim de semana, o Carnaval traz o brilho de volta às ruas por onde Maria caminhou. O contraste é profundo: o riso dos blocos e a batucada do Carnabonde acontecem a poucos metros do local onde o pranto de uma mãe se tornou eterno.

Dizem que, no silêncio que sucede o fim da folia, ainda é possível ouvir um soluço baixo perto dos portões do Paquetá. Maria não busca assustar os foliões; ela apenas permanece fiel à promessa de nunca deixar seu filho sozinho, lembrando a todos que, por trás das máscaras de Carnaval, Santos guarda histórias de amores e perdas que nem o tempo, nem a morte, puderam apagar.

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Programe-se com Respeito à História:

  • Carnabonde: Sábado (14/02), concentração às 11h na Praça Mauá.
  • Cemitério do Paquetá: Localizado na Rua Dr. Cochrane, s/n. Um marco da história santista que abriga o túmulo que deu origem à lenda.

 

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