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Boomerasking: o hábito 'educado' que destrói amizades e afasta colegas, segundo Harvard

Pesquisa de Harvard revela que fingir interesse para falar de si mesmo é mais prejudicial à imagem social do que ser abertamente egocêntrico

Luna Almeida

Publicado em 24/03/2026 às 20:01

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Praticar o boomerasking faz com que você seja visto como menos sincero e menos simpático / Freepik/pch.vector

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Você já esteve em uma conversa onde a pessoa faz uma pergunta, ouve sua resposta por apenas alguns segundos e logo interrompe para contar uma história dela? Esse comportamento tem nome: boomerasking. 

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O conceito, que mistura as palavras "bumerangue" e "pergunta" em inglês, descreve o hábito de usar o interlocutor apenas como um trampolim para redirecionar o assunto de volta para si mesmo.

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O termo foi cunhado por Alison Wood Brooks, professora da Harvard Business School, após liderar um estudo com mais de 1.500 participantes. 

A pesquisa revelou um dado contraintuitivo: praticar o boomerasking faz com que você seja visto como menos sincero e menos simpático do que se simplesmente começasse a falar de si mesmo sem fazer pergunta alguma. 

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O disfarce de educação, quando detectado, soa como manipulação e corrói a confiança nos relacionamentos.

Os três tipos de boomerasking nas conversas

O estudo mapeou padrões específicos que revelam como as pessoas utilizam as perguntas para retomar o protagonismo do diálogo. 

Em todos os casos identificados, a intenção real não é obter informações sobre o outro, mas criar um gancho conveniente para a própria fala. Os subtipos variam conforme o tom da revelação que se segue:

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O bumerangue de ostentação: Quando a pergunta serve para que o praticante possa exibir uma conquista logo em seguida.

Exemplo: Perguntar "Você viajou nas férias?" para poder responder "Eu fui a Paris!".

O bumerangue de reclamação: A pergunta busca abrir espaço para que a pessoa possa desabafar sobre seus próprios problemas.

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Exemplo: Perguntar "Como foi sua reunião?" para poder dizer "A minha foi um desastre total, como sempre".

O bumerangue de validação: Utiliza o questionamento para buscar concordância sobre as opiniões do próprio autor.

Exemplo: Perguntar "Você tem irmãos?" para poder contar "Eu tenho duas irmãs".

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Especialistas apontam que perguntas muito fechadas ou específicas, como questionar a opinião sobre um chefe novo, costumam ser sinais claros dessa prática. Nesses casos, o interlocutor rapidamente percebe que sua resposta é apenas um detalhe burocrático antes que o praticante inicie seu próprio monólogo.

O impacto silencioso nos relacionamentos e na carreira

Embora o boomerasking raramente gere discussões diretas, ele deixa marcas profundas na convivência social e profissional. 

Quem é alvo desse hábito costuma registrar uma sensação de invisibilidade, sentindo-se como uma plateia descartável para o ego alheio. Com o passar do tempo, essa percepção gera afastamento emocional e desconfiança sobre a sinceridade de qualquer interação futura.

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No ambiente de trabalho, o hábito prejudica a liderança e a coesão das equipes, pois substitui a escuta ativa por uma agenda oculta de autoafirmação. 

Nas redes sociais, o padrão se repete em comentários que ignoram o conteúdo da postagem original para derivar em longas autorrevelações, reforçando a crença de que as experiências próprias são sempre mais relevantes que as alheias.

Como identificar e evitar o hábito

Para saber se você está caindo na armadilha do boomerasking, vale observar se, enquanto o outro fala, você já está mentalizando sua próxima história. Outro sinal de alerta é perceber que, ao final de um encontro, você sabe muito sobre si mesmo, mas quase nada de novo sobre a outra pessoa. 

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O antídoto sugerido pela pesquisadora de Harvard é simples: faça perguntas que você não consiga responder sobre si mesmo, focando em experiências únicas da outra pessoa.

A escuta genuína continua sendo a ferramenta mais eficaz para construir vínculos reais. O problema não está em compartilhar suas vivências, mas em usar a curiosidade como um disfarce. Oferecer atenção real, sem uma agenda de interrupção, é o que diferencia um diálogo saudável de um monólogo disfarçado de conversa.

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