Austrália envia migrantes para ilha remota do Pacífico; Por que isso está acontecendo?

Nauru, um remoto país insular, aceitou receber migrantes em troca de centenas de milhões de dólares

Austrália paga bilhões para transferir migrantes a Nauru em meio a críticas internacionais

Austrália paga bilhões para transferir migrantes a Nauru em meio a críticas internacionais | Reprodução/YouTube

Nauru, uma pequena ilha remota do Pacífico, tornou-se o destino de migrantes transferidos pela Austrália no âmbito de um acordo controverso assinado em 2025.. 

A administração australiana informou em comunicado que “Nauru confirmou na sexta-feira passada que ocorreu a primeira transferência”, sem, no entanto, detalhar o número exato de pessoas envolvidas.

Veja também que a maior ilha do mundo passa por transformação que acende alerta e preocupa cientistas.

Quem são os migrantes enviados

Estima-se que cerca de 350 indivíduos, vários condenados por crimes graves, como tráfico de drogas e assassinato, possam ser encaminhados à ilha depois de a Austrália ter se deparado com a impossibilidade de reassentá-los em outro país.

Muitos desses migrantes tinham permanecido em centros de detenção australianos após terem seus vistos cancelados, sem que fosse possível deportá-los aos seus países de origem devido a riscos como guerra ou perseguição. 

A virada veio após decisão da High Court of Australia, em 2023, que considerou ilegal manter essas pessoas em detenção por tempo indeterminado por ausência de local para enviá-las. 

Conheça também a ilha paradisíaca que oferece dinheiro e tem casa por apenas 6 reais.

O acordo bilionário com Nauru

No acordo, a Austrália concordou em pagar centenas de milhões de dólares a Nauru. A cifra estimada é de aproximadamente US$ 2,5 bilhões ao longo de 30 anos, contemplando um pagamento inicial de cerca de US$ 408 milhões, seguido por até US$ 70 milhões anuais, conforme relatado. 

Em contrapartida, Nauru aceitou conceder vistos de longa duração aos migrantes e permitir que convivam livremente entre seus cerca de 12.500 habitantes. 

Apesar de o governo australiano defender que se trata de medida necessária, favorecendo o cumprimento da lei, a falta de transparência tem gerado críticas de organizações de direitos humanos, que questionam se o acordo respeita as obrigações internacionais e se oferece garantias suficientes aos migrantes transferidos.