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Segundo estudo, a Groelândia está passando por processos geológicos intensos, incluindo o derretimento acelerado de suas camadas de gelo
A maior ilha do mundo enfrenta um processo acelerado de derretimento de gelo, fenômeno que altera sua estrutura geológica e pode impactar o equilíbrio climático global / Wikimedia Commons/Giles Laurent
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Muitas pessoas não sabem, mas o que acontece nas profundezas do oceano impacta diretamente o mundo em que vivemos. Esse é o caso da Groenlândia, a maior e mais gelada ilha do mundo que, atualmente, passa por processos geológicos intensos, apresentando impactos capazes de mudar nossa realidade.
O fenômeno é surpreendente e intriga, ao mesmo tempo que preocupa cientistas ao redor do mundo. A biomassa marinha registra uma queda de aproximadamente 20% ao ano devido a temperaturas extremas. Esse calor não se estende apenas aos mares, mas, simultaneamente, aos territórios geográficos.
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O Diário fez, inclusive, uma matéria explicando como o aquecimento global está afetando o ecossistema marinho. Para acessá-la, basta clicar aqui.
No caso do território nórdico, pesquisadores notaram o derretimento de suas camadas de gelo, um fator que os intrigou. Afinal, estamos falando da maior e mais gelada ilha do mundo.
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Como resultado do fenômeno, algumas regiões da Groenlândia estão encolhendo, enquanto outras estão aumentando. Isso ocorre porque a perda de peso na superfície reduz a pressão no subsolo, deformando a placa tectônica local. As distorções, portanto, implicam compressões, tornando algumas áreas paradoxalmente menores.
Do mesmo modo, a ilha inteira se deslocou cerca de 2 centímetros na direção noroeste durante os últimos 20 anos. Segundo um estudo publicado na renomada revista científica Journal of Geophysical Research (Tradução: Revista de Pesquisas Geofísicas), as ocorrências podem mudar drasticamente o futuro do planeta:
“No geral, isso significa que a Groenlândia está se tornando um pouco menor, mas isso pode mudar no futuro com o derretimento acelerado que estamos vendo agora”, explicou Danjal Longfors Berg, o principal autor do estudo e pesquisador da NASA, em um comunicado.
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Registrando aproximadamente 2,1 milhões de quilômetros quadrados, a Groenlândia está localizada sobre a placa tectônica norte-americana. Quando o gelo derrete, o peso sobre o solo diminui, resultando na elevação da crosta terrestre em um processo denominado "soerguimento isostático".
Por outro lado, o solo tende a afundar em locais que mantêm um grande acúmulo glacial. Deste modo, a perda de peso provoca diversos tipos de reações geológicas, resultando em possibilidades de afundamento, subida ou estiramento das áreas da ilha.
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Ainda segundo Berg, a ilha se movimenta em diferentes direções de forma simultânea, considerando, inclusive, mudanças históricas:
“O gelo que derreteu nas últimas décadas empurrou a Groenlândia para fora e causou elevação, de modo que a área se tornou maior durante esse período. Ao mesmo tempo, observamos um movimento na direção oposta, com a Groenlândia subindo e se contraindo devido a mudanças pré-históricas nas massas de gelo relacionadas à última Era Glacial e seu fim”.
Logo, a dinâmica complexa consiste no acúmulo de efeitos de movimentos geológicos ancestrais e atuais, moldando a Groenlândia como nunca visto antes.
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Para realizar a medição do deslocamento local com o máximo de precisão possível, Berg afirma que a equipe de cientistas criou um modelo computacional robusto. Porém, isso foi realizado de maneira intencional.
"Criamos um modelo que mostra movimentos ao longo de uma escala de tempo muito longa, de cerca de 26 mil anos atrás até o presente".
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A operação foi um sucesso, e os pesquisadores obtiveram dados de 58 estações de GPS diferentes, espalhadas ao redor da ilha. Com essas informações, puderam observar a elevação do leito rochoso detalhadamente, bem como as mudanças de posição e a deformação regional.
Os levantamentos foram introduzidos no modelo computacional, programado para simular movimentos geológicos passados e presentes.
O encolhimento da Groenlândia foi uma questão inesperada até mesmo para especialistas. Berg menciona que os dados antigos eram baseados em suposições; porém, agora há evidências concretas.
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"Até então, não havia medições tão precisas de como a Groenlândia está se deslocando. A suposição era de que a ilha estava sendo esticada principalmente devido à dinâmica desencadeada pelo derretimento do gelo nos últimos anos."
Apesar da complexidade do assunto, o pesquisador finaliza dizendo que os avanços nos estudos científicos são notáveis: "Para nossa surpresa, também encontramos grandes áreas onde a Groenlândia está sendo 'retraída' ou 'encolhida' devido aos movimentos".
Para mais informações sobre o local, confira mais informações pelo vídeo do canal "Lucas e Anna pelo mundo":
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