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Após 15 anos de monitoramento, cientistas confirmam chegada de microalga tóxica no Mediterrâneo

O estudo integra o projeto OBSERMAR-CV, vinculado ao programa Thinkinazul e financiado com recursos nacionais e europeus

Agência Diário

Publicado em 08/03/2026 às 10:03

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Aquecimento do Mediterrâneo impulsiona avanço de microalgas tóxicas e exige monitoramento contínuo. / Unsplash

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Uma espécie de microalga produtora de ciguatoxinas, Gambierdiscus australes, foi identificada pela primeira vez no litoral peninsular do Mediterrâneo. A detecção ocorreu em águas de Dénia e Xàbia, ao norte da província de Alicante.

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Os resultados das coletas indicam presença elevada da espécie em diferentes pontos da costa monitorada. A descoberta amplia o mapa de distribuição de microalgas tóxicas na região.

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Embora as concentrações atuais não indiquem risco imediato, o registro reforça a necessidade de vigilância permanente. A segurança alimentar segue apoiada em análises e protocolos rigorosos.

Detalhes do trabalho de campo

O estudo integra o projeto OBSERMAR-CV, vinculado ao programa Thinkinazul e financiado com recursos nacionais e europeus. As amostragens foram conduzidas pelo Instituto Multidisciplinar de Estudos Ambientais Ramón Margalef.

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As campanhas em 2023 incluíram 12 estações, em seis áreas costeiras distintas. As coletas contemplaram tanto zonas mais próximas da costa quanto pontos mais afastados, garantindo um panorama abrangente.

Ligação com a ciguatera

A espécie identificada pertence a um grupo de dinoflagelados marinhos capaz de produzir ciguatoxinas. Essas toxinas podem se acumular em certas espécies de peixes e provocar intoxicação alimentar em consumidores.

Casos de ciguatera estão associados a sintomas gastrointestinais e neurológicos após o consumo de peixes contaminados. O controle de qualidade do pescado busca atuar justamente antes da chegada do produto ao consumidor.

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Medidas de proteção ao consumidor

Segundo o pesquisador César Bordehore, “sabemos como prevenir possíveis intoxicações alimentares”. Ele explica que existem medidas preventivas para impedir que peixes com altos níveis de toxinas entrem na cadeia de comercialização.

As análises laboratoriais realizadas antes da distribuição funcionam como barreira de segurança. Assim, o peixe disponibilizado ao público é considerado seguro, mesmo com a presença da microalga no ambiente.

Efeito do aquecimento das águas

Bordehore associa a expansão de Gambierdiscus ao aumento da temperatura do mar Mediterrâneo. A origem tropical da espécie favorece sua instalação em regiões onde a água se torna progressivamente mais quente.

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Ele ressalta que “para uma espécie marinha, um aumento de um grau na temperatura faz toda a diferença”. Essa alteração pode transformar áreas antes frias em ambientes propícios para novas colonizações.

Série histórica e novos padrões

Diversos estudos de linha de base vêm sendo conduzidos desde 2010 ao longo de mais de 40 quilômetros de litoral. Amostras preservadas permitiram comparar a situação atual com o cenário de 15 anos atrás.

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As reanálises mostram que o gênero Gambierdiscus não estava presente na área de estudo no passado recente. Essa constatação confirma a expansão geográfica da microalga e a importância de programas específicos de monitoramento.

 

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