A Praia da Ferrugem é famosa pelas águas claras e pelo histórico ligado a pescadores e comunidades alternativas / Divulgação/Prefeitura de Garopaba
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O município de Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina, ultrapassou a fama de destino turístico e entrou para o mapa da literatura brasileira contemporânea ao servir de cenário principal para um romance premiado. O município é palco de Barba Ensopada de Sangue, obra do escritor Daniel Galera vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura.
Publicado em 2012, o livro constrói sua narrativa a partir de ambientes reais da cidade, explorando tanto as praias conhecidas quanto a atmosfera introspectiva do litoral fora da temporada de verão.
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A trama acompanha um professor de educação física que decide se isolar no local após a morte do pai e acaba investigando um antigo caso envolvendo o avô.
Sem ter o nome revelado ao longo da narrativa, o protagonista rompe laços familiares e busca refúgio físico e emocional na cidade catarinense.
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Paralelamente ao isolamento, ele passa a investigar a morte do avô Gaudério, supostamente assassinado décadas antes, quando a região ainda mantinha características de vila de pescadores.
A ambientação costeira funciona como elemento central da história, reforçando o clima de introspecção e tensão que atravessa toda a obra.
Diversos cenários conhecidos de Garopaba são mencionados ao longo do romance. A Praia da Ferrugem, famosa pelas águas claras e pelo histórico ligado a pescadores e comunidades alternativas, aparece como um dos espaços mais emblemáticos.
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Outro ponto citado é a Praia do Silveira, reconhecida pelas ondas consistentes e pela presença constante de surfistas. A formação rochosa no fundo do mar contribui para a regularidade das ondas e também para condições mais desafiadoras.
O Saco da Cobra, área acessível por trilha no Morro da Boneca e frequentada por visitantes mais aventureiros, também integra o cenário da obra.
Além das praias, locais urbanos como o Fórum e a Igreja Matriz São Joaquim, situada no centro histórico, aparecem em diferentes momentos da narrativa.
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Apesar de paulista, Daniel Galera manteve vínculos pessoais com Garopaba antes mesmo de ambientar ali o romance.
O escritor tinha familiares na região e enfrentou uma perda marcante na adolescência, quando um tio morreu afogado ao tentar resgatar um banhista nas pedras da Ferrugem.
Anos depois, no fim da década de 2000, ele decidiu morar sozinho na cidade. A experiência direta com o cotidiano local contribuiu para a construção da história e da atmosfera do livro, que reproduz tanto a paisagem quanto o sentimento de isolamento característico de períodos fora da alta temporada.
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