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O ano passado foi amplamente marcado por conflitos internacionais, desde os mais conhecidos (Rússia x Ucrânia e Israel x Hamas) até os mais desconhecidos (Burkina Fasso e Mianmar)
A guerra entre a Rússia e a Ucrânia, iniciada oficialmente em 2022, continua sendo um dos conflitos mais letais e estratégicos da atualidade na Europa / Wikimedia Commons/Alisdare Hickson
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Sem dúvidas, 2025 foi um ano que se destacou por sua extensão de conflitos internacionais. Principalmente quando se trata das guerras mais famosas, como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia ou entre Israel e o Hamas, esses assuntos foram amplamente divulgados pela mídia global.
De fato, os conflitos mencionados prejudicaram milhares de vidas, direta ou indiretamente, além de serem os mais abordados pelos veículos de comunicação. No entanto, houve outras guerras que seguiram ativas, apesar da menor atenção.
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Divulgada pelo Valor Econômico, uma pesquisa por parte do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo (PRIO, em inglês) mostrou cerca de 11 conflitos ocorridos no ano de 2025. O estudo foi realizado a partir de 2024, na Universidade de Uppsala (Suécia), tendo o nome "Tendência de Conflitos: Uma visão global, 1946-2004".
Ainda de acordo com o artigo, o estudo considerou alguns requisitos para classificar uma ocorrência como "guerra". Era necessário apresentar, ao menos, mil mortes para se encaixar na categoria. Confira uma lista abaixo com alguns dos conflitos catalogados nesse grupo, e que ainda continuam em 2026.
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Um dos conflitos mais falados pela mídia, a guerra começou, teoricamente, em fevereiro de 2014, quando a Rússia invadiu a Crimeia para tomar a península ucraniana. No entanto, foi oficializada em 24 de fevereiro de 2022 pelo atual presidente russo Vladimir Putin, completando quatro anos recentemente.
O principal objetivo do conflito foi a tentativa de impedir o alinhamento da Ucrânia ao Ocidente, especialmente à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e à União Europeia. Contudo, as causas são consideradas multifatoriais, considerando que os dois países têm histórias antecedentes, além de questões econômicas, políticas e socioculturais entre ambos.
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Essa história é longa e tem sua origem praticamente ancestral. De forma mais resumida, tudo começou com disputas por territórios já ocupados por povos descendentes dos israelenses e palestinos, conhecidos como hebreus e filisteus.
Em diferentes momentos da história, eles foram expulsos, retomaram terras, ampliaram e as perderam. Contudo, Israel foi capaz de vencer diversas guerras, incluindo a Guerra da Independência (1948), a Guerra dos Seis Dias (1967), além da Guerra do Yom Kippur (1973), contra o Egito e a Síria.
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Essas conquistas possibilitaram a expansão do território israelense. Todavia, em 1987, o Hamas surgiu como um braço armado de resistência contra a ocupação israelense na Faixa de Gaza. Em 1993, um novo acordo foi implementado entre Israel e Palestina, chamado Oslo. Mediado pelo ex-presidente americano Bill Clinton, o objetivo era tentar promover a paz entre as duas nações.
Mesmo com a tentativa de acordo, os ataques de 7 de outubro de 2023, data de quando a guerra começou, vieram como uma resposta do Hamas devido à contínua ocupação territorial israelense. O grupo afirmou buscar a liberdade da Palestina, "do Rio Jordão ao Mar Mediterrâneo".
O grupo Hezbollah foi fundado por clérigos em 1982, como resposta à invasão de Israel no Líbano. O evento foi, praticamente, um massacre, com cerca de 17.000 pessoas mortas. Por isso, durante a década de 90, o partido político lutou contra a ocupação israelense no sul do Líbano.
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Desde a sua criação, a eliminação do Estado de Israel tem sido um objetivo primordial do Hezbollah, que se opõe ao governo e políticas israelenses.
Mesmo antes do início da guerra entre os dois grupos, em 2023, outros conflitos foram apresentados. O conflito no sul do Líbano durou quase 20 anos, entre 1982 e 2000, envolvendo as forças israelenses e as milícias libanesas. Além disso, houve a Guerra do Líbano, em 2006, além do conflito nas Fazendas de Shebaa, matando dois soldados israelenses em 2015.
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Um dia após o Hamas ter lançado seus ataques contra Israel, no dia 8 de outubro de 2023, o Hezbollah aproveitou a oportunidade e se juntou ao conflito em 'solidariedade com os soldados palestinos', disparando, inicialmente, contra os postos militares nas Fazendas de Shebaa e nas Colinas de Golã, ambos territórios sob ocupação israelense.
Em relação ao conflito Israel x Irã, o acontecimento está vinculado entre a liderança iraniana e israelense. Com a Guerra Civil Síria, em 2011, Israel teria, supostamente, atacado ou enfrentado as forças iranianas e do Hezbollah. Além disso, as forças israelenses foram suspeitadas pelo apoio de ataques contra o grupo libanês, durante incidentes armados em 2013, 2014 e 2015.
Com isso, o Irã vê Israel como ameaça, considerando o país como um regime sionista e afirmando que a política externa iraniana se baseia em ajudar os povos oprimidos em todo o mundo, como uma ação positiva religiosa humanitária.
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Em junho de 2025, o país iraniano atacou, lançando mísseis e drones contra Israel. Esse foi o primeiro ataque direto iraniano, considerando que sua capital, Teerã, preferiu utilizar de seus grupos filiados, como o Hezbollah ou o Hamas.
Segundo o artigo divulgado pelo Valor Econômico, outros conflitos que ocorreram ou tiveram continuação no ano de 2025 incluíram:
Burkina Fasso - Conflito jihadista entre o governo e o Estado Islâmico na Província do Sahel (ISGS) pelo controle de territórios;
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Mianmar - Guerra civil entre o Exército de Independência Kachin (KIA) e as forças armadas do governo local, eclodindo após a repressão militar a protestos contra um golpe militar em 2021;
Paquistão x Afeganistão - Conflito entre ambas as nações, com ataques aéreos a territórios afegãos;
Somália - Conflito entre o governo local e o grupo islâmico Al Shabab. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), Shabbab representa uma ameaça à segurança e paz do país no continente africano;
Sudão - Guerra entre as Forças Armadas Sudanesas e o grupo Forças de Apoio Rápido. Ainda de acordo com a ONU, o conflito está se tornando cada vez mais mortífero, deslocando milhões de pessoas e contribuindo para a fome e a pobreza;
Nigéria - Conflito entre o governo e o grupo Boko Haram devido a questões de opressão religiosa;
Etiópia - Conflito entre as Forças de Defesa Nacional (ENDF) e o grupo Fano, resultado de rebeliões contra o governo.
*O texto contém informações dos portais Valor Econômico, Agência Brasil, CNN, G1, Wikipédia, Brasil Escola e Mundo Educação