Diário Mais

Adeus, Francisca? Os nomes antes comuns que agora sumiram dos cartórios brasileiros

Novos registros de alguns nomes são praticamente nulos e eles só existem por conta das pessoas ainda estarem vivas

Jeferson Marques

Publicado em 11/01/2026 às 13:54

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Nomes comuns em décadas passadas estão desaparecendo dos cartórios brasileiros / Imagem ilustrativa gerada por IA/DL

Continua depois da publicidade

Você já notou que não vemos mais tantas crianças chamadas "Regina", "Raimundo" ou "Valdir" nas praças? A percepção popular foi confirmada por dados oficiais. Segundo levantamentos recentes baseados no Portal da Transparência do Registro Civil, administrado pela Arpen-Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), uma série de nomes que dominaram as certidões de nascimento nas décadas de 60, 70 e 80 sofreram quedas bruscas de registro, chegando perto do desaparecimento estatístico entre os recém-nascidos da última década.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Enquanto os cartórios são inundados por "Gaels", "Helenas" e "Miguels", nomes tradicionais que batizaram gerações inteiras estão ficando apenas na memória — e nos documentos dos avós.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• De onde vêm nomes como Hot Dog, Pavlova e Panetone? Conheça a origem de 10 pratos famosos

• Entre a mata e a viola: a origem dos nomes de Chitãozinho & Xororó

• As ruas mais curiosas do Brasil: veja alguns nomes que parecem piada, mas são reais

O fim dos compostos

A principal mudança apontada pelos dados da Arpen é cultural: o brasileiro perdeu o gosto pelos nomes compostos longos e tradicionais. Nomes como Carlos Alberto, Paulo Roberto ou Maria José, que eram onipresentes, perderam espaço para nomes curtos, bíblicos ou internacionais.

A simplicidade e a sonoridade "global" (nomes que funcionam em várias línguas, como Noah ou Ravi) tomaram o lugar da tradição familiar de repetir o nome composto do pai ou do avô. O registro civil mostra que a preferência atual é por nomes de "tiro curto", com duas ou três sílabas no máximo.

Continua depois da publicidade

Nomes em risco?

Embora não "sumam" completamente enquanto houver pessoas vivas com eles, nomes como Jandira, Odete, Geraldo e Zilda têm registrado números irrisórios de novos batismos anuais. Em alguns estados, nomes que antes eram comuns em salas de aula hoje contam com menos de uma dezena de registros por ano.

Essa "extinção" nos berçários reflete a moda cíclica. Especialistas apontam que nomes carregam o "peso" da idade. Quando um nome é muito associado a uma geração mais velha (a geração dos boomers, por exemplo), os novos pais tendem a evitá-lo por considerá-lo "datado".

A regra dos 100 anos

Mas nem tudo está perdido para os nomes antigos. Existe uma teoria demográfica conhecida como a "Regra dos 100 Anos". Ela diz que nomes tendem a voltar à moda depois de um século, quando perdem a associação com a velhice e passam a ser vistos como "vintage" ou clássicos.

Continua depois da publicidade

É o que aconteceu recentemente com Vicente, Joaquim e Antônia. Eram nomes de bisavós que "sumiram" por décadas e agora retornaram com força total ao topo dos rankings da Arpen. Portanto, pode ser que daqui a alguns anos, nomes que hoje estão sumindo, como Fátima ou Sérgio, voltem a ser a tendência "cool" do momento.

Mais Sugestões

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software