A transição para as máquinas bean-to-cup revela uma maturidade no consumo / Reprodução/Youtube
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Uma mudança silenciosa, mas robusta, está transformando as cozinhas ao redor do mundo. Embora as cafeteiras de cápsulas ainda dominem uma parcela significativa do mercado, as chamadas máquinas bean-to-cup (do grão à xícara) aparecem como o segmento de maior expansão para os próximos anos.
Segundo dados da Mordor Intelligence, enquanto as cápsulas detinham cerca de 38% da receita global em 2025, os modelos que moem o café no momento do preparo são os que mais crescem em preferência até 2031.
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O movimento reflete uma revisão de prioridades: o consumidor moderno passou a pesar o custo por xícara, a autonomia de escolha e, principalmente, o impacto ambiental do descarte individual.
Se antes a praticidade era o único norte, agora a conta do uso diário e a pegada ecológica entraram definitivamente na decisão de compra.
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A diferença financeira entre os sistemas torna-se evidente quando analisamos o gasto recorrente em vez do preço de etiqueta da máquina.
Um levantamento da organização britânica Which? ilustrou bem esse cenário: em um período de cinco anos, consumindo dois expressos diários, o gasto com uma máquina de cápsulas chegaria a aproximadamente £ 1.153 (R$ 7.898,05), contra cerca de £ 867 (R$ 5.938,95) de uma máquina bean-to-cup.
A disparidade vem do valor do insumo. Enquanto uma dose em cápsula de entrada custa cerca de 36 pence (R$ 2,47), o café moído na hora sai por pouco mais de 15 pence (R$ 1,03).
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Assim, a cafeteira de cápsulas, que costuma ser mais barata na prateleira da loja, acaba perdendo competitividade no uso contínuo, tornando-se um investimento mais caro para quem mantém o hábito de beber café várias vezes ao dia.
O grande triunfo das cápsulas sempre foi o sistema de "um toque". No entanto, a evolução das máquinas superautomáticas eliminou essa vantagem exclusiva.
De acordo com a Perfect Daily Grind, os novos modelos integram moagem, dosagem, extração e até a vaporização do leite em fluxos automatizados que não exigem conhecimento técnico de barista.
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Essa evolução permite que o consumidor doméstico atinja um padrão de cafeteria com a liberdade de escolher qualquer grão do mercado, ajustando intensidade e perfil sensorial.
Em vez de ficar restrito a um portfólio fechado de cápsulas compatíveis, o usuário ganha autonomia para experimentar cafés especiais, um segmento que já representa o consumo semanal de 64% dos jovens adultos, segundo a Specialty Coffee Association.
O impacto ecológico é outro ponto crítico que tem afastado consumidores das cápsulas convencionais. Estudos publicados na revista Scientific Reports e pela Universidade de Wageningen, na Holanda, apontam que os pods geram um fluxo de resíduos complexo.
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Muitos são compostos por misturas de plástico e alumínio, o que dificulta a reciclagem em larga escala, já que o processo exige a separação mecânica e a retirada da borra de café.
Mesmo as cápsulas rotuladas como recicláveis enfrentam barreiras logísticas, como a falta de coleta seletiva eficiente e a dificuldade de triagem industrial devido ao seu tamanho reduzido.
Em contrapartida, as máquinas que utilizam grãos geram apenas a borra de café como resíduo orgânico, que pode ser facilmente compostado, eliminando o descarte sistemático de embalagens unitárias a cada dose de 50 mL preparada.
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Apesar da ascensão dos grãos, as cápsulas não devem desaparecer. Elas ainda preservam atributos como o tamanho compacto e a facilidade de limpeza imediata, sendo ideais para ambientes com pouco espaço ou baixo consumo.
O que o mercado observa agora é o fim da sua exclusividade como solução de conveniência.
A transição para as máquinas bean-to-cup revela uma maturidade no consumo: o desejo por um café mais fresco e ético, aliado à inteligência financeira de reduzir gastos fixos com refis proprietários.
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Onde antes bastava o aperto de um botão, agora o consumidor prefere a moagem do grão, valorizando o aroma do café recém-saído da máquina e a consciência de um descarte reduzido.