Extinção de abelhas mudaria completamente a existência humana na Terra / Foto de David Hablützel/Pexels
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Se você já ouviu por aí que a raça humana seria extinta em apenas quatro anos caso as abelhas desaparecessem, saiba que essa previsão catastrófica é, em grande parte, um mito. Mas não se engane: a realidade, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), seria dramática o suficiente para mudar radicalmente o nosso estilo de vida.
Cerca de 70% das culturas agrícolas que consumimos dependem, em algum grau, da polinização animal. Sem o trabalho incansável desses insetos, não enfrentaríamos uma extinção imediata, mas viveríamos em um planeta nutricionalmente pobre, gastronomicamente monótono e economicamente instável.
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A famosa frase atribuída a Albert Einstein — "Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência" — nunca foi confirmada como sendo dele. Cientificamente, ela também não se sustenta.
A base da alimentação calórica mundial (trigo, arroz e milho) é polinizada pelo vento, não por insetos. Ou seja, o pão, o macarrão e a base da ração animal continuariam existindo. Ninguém morreria de fome por falta de calorias puras. O problema seria a "fome oculta": a falta de vitaminas e nutrientes essenciais que vêm das frutas, legumes e castanhas.
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O impacto mais visível seria nas prateleiras dos supermercados. Sem as abelhas, frutas como maçã, maracujá, melancia e abacate desapareceriam ou se tornariam itens de luxo raríssimos. O café, uma paixão nacional, sofreria uma queda brutal de produtividade, tornando-se uma bebida escassa e cara.
Além da mesa, o guarda-roupa também sentiria o golpe. O algodão, fibra natural mais usada no mundo, tem sua produção otimizada pela polinização. Sem ele, a indústria têxtil dependeria quase exclusivamente de fibras sintéticas, como o poliéster. Até o churrasco de domingo seria afetado: o gado leiteiro e de corte consome alfafa e outras forragens que precisam ser polinizadas para gerar sementes.
Se para os humanos o cenário seria de empobrecimento, para a natureza seria devastador. Cerca de 90% das plantas silvestres dependem da polinização para se reproduzir. O sumiço das abelhas iniciaria um efeito cascata: plantas deixariam de gerar frutos, animais herbívoros ficariam sem alimento e seus predadores, consequentemente, morreriam.
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O mundo sem abelhas não seria um deserto estéril, mas seria um lugar mais cinza, com menos flores, menos pássaros e uma dieta humana baseada quase exclusivamente em grãos e carboidratos simples.