Há um mito de que existem 15 ratos em SP para cada habitante / Imagem ilustrativa gerada por IA/DL
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A estatística popularmente repetida de que a cidade de São Paulo abriga uma população de 15 ratos para cada habitante — o que totalizaria cerca de 180 milhões de roedores — carece de embasamento científico e é classificada como "imprecisa" e "tecnicamente inviável" por órgãos oficiais. Segundo a Divisão de Vigilância de Zoonoses (DVZ) e a Secretaria Municipal da Saúde, não existe um censo populacional de roedores na capital, uma vez que a contagem de indivíduos em uma metrópole aberta, com complexa rede de esgoto e galerias pluviais, é impossível de ser realizada com rigor metodológico.
Especialistas em saúde pública e biologia apontam que tais números, frequentemente citados em décadas passadas e repercutidos sem atualização, funcionam mais como hipérboles para alertar sobre o descarte de lixo do que como dados demográficos reais.
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A Prefeitura de São Paulo trabalha com índices de infestação, e não com contagem de cabeças. O monitoramento oficial é feito com base nas solicitações de desratização enviadas pelos munícipes via Portal 156 e na identificação de tocas ativas em áreas públicas.
Técnicos do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) explicam que a biologia das ratazanas (Rattus norvegicus) e dos ratos de telhado (Rattus rattus) depende diretamente da oferta de alimento e abrigo. Embora a cidade sofra com o descarte irregular de resíduos, sustentar uma população de 180 milhões de animais exigiria uma biomassa de lixo visível e onipresente, criando um cenário de calamidade sanitária muito superior ao observado atualmente.
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A descrença no número de "15 para 1" ganha força quando comparada a estudos modernos de outras metrópoles globais. Em Nova York, historicamente associada a infestações graves, um estudo estatístico da Universidade de Columbia derrubou o mito de que haveria um rato para cada nova-iorquino.
A pesquisa estimou a população real em cerca de 2 milhões de roedores para 8 milhões de pessoas (uma proporção de 0,25 rato por habitante). Aplicando a lógica científica, a ideia de que São Paulo teria uma densidade populacional de pragas 60 vezes maior que a de Nova York é considerada biologicamente improvável pela comunidade científica, apesar da percepção visual do problema em áreas específicas da capital paulista.