A Ilha das Cobras é uma das mais perigosas do mundo e não está à venda (nem nunca estará) / Imagem ilustrativa/IA
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Recentemente, boatos começaram a circular nas redes sociais sugerindo que a famosa Ilha da Queimada Grande, popularmente conhecida como Ilha das Cobras, estaria disponível no mercado imobiliário. Localizada no litoral sul de São Paulo, entre Itanhaém e Peruíbe, a ilha povoa o imaginário popular devido à alta concentração de serpentes venenosas. No entanto, a informação de que o local estaria à venda é falsa e juridicamente impossível.
A ilha não é uma propriedade privada, mas sim um território federal protegido, o que impede qualquer tipo de transação comercial envolvendo sua área.
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A impossibilidade de compra se deve ao status legal do território. Desde 1985, a Ilha da Queimada Grande é classificada como uma Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE), sob decreto federal. Isso significa que a ilha pertence à União e sua administração é de responsabilidade exclusiva do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Diferente de ilhas particulares que ocasionalmente aparecem em leilões ou anúncios de luxo, esta área é uma unidade de conservação. Não existe um dono, uma escritura ou um preço: ela é um bem público destinado estritamente à preservação ambiental e à pesquisa científica.
Além do impedimento legal, existe uma barreira biológica crucial. A ilha é o único habitat no planeta da Bothrops insularis, a jararaca-ilhoa. Essa espécie, que evoluiu isolada do continente, corre risco crítico de extinção. A presença humana descontrolada, seja por turismo ou por um hipotético proprietário particular, causaria um impacto irreversível nesse ecossistema frágil. Por isso, o desembarque no local é rigorosamente proibido para civis. Apenas pesquisadores com autorização prévia do ICMBio e militares da Marinha do Brasil, responsáveis pela manutenção do farol automatizado, têm permissão para pisar em solo firme. O isolamento é a única garantia de sobrevivência da espécie.
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A confusão sobre a venda geralmente surge da mistura de fatos reais com especulações de internet. É comum que ilhas privadas em regiões turísticas do Brasil, ou até em lagos de hidrelétricas, sejam anunciadas para venda, levando leitores desatentos a confundirem as localizações. Além disso, o misticismo em torno do perigo mortal da Ilha das Cobras gera cliques fáceis, o que incentiva a criação de conteúdos sensacionalistas que distorcem a realidade. Portanto, qualquer anúncio oferecendo esse pedaço do litoral paulista é golpe ou "fake news": o santuário das serpentes continua sendo um laboratório natural a céu aberto, sem preço e sem dono.