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'Stonehenge das Américas': Estrutura de 3 mil anos usava o céu para marcar o tempo e o poder

No Peru, Chankillo usou 13 torres para marcar o ano solar e transformar astronomia em rito, calendário e poder

Luiz Dias / Agência Diário

Publicado em 05/04/2026 às 21:31

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Construção se consagra como um ponto turístico extremamente fotogênico / Corrispo / Wikimedia Commons

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No deserto costeiro do Peru, o complexo de Chankillo mostra que a astronomia nas Américas ganhou forma monumental muito antes dos incas. Erguido por uma sociedade pré-incaica entre 250 e 200 a.C., o sítio usava 13 torres para acompanhar o caminho do Sol ao longo do ano.

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Mais do que indicar estações, o conjunto revela como céu, calendário e autoridade podiam caminhar juntos. Achados divulgados pelo Ministério da Cultura do Peru em 2025 sugerem que o local também concentrou observações lunares e rituais ligados a uma elite guerreira.

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Por isso, Chankillo virou um dos exemplos mais impressionantes de como conhecimento técnico, religião e poder político se misturavam no mundo antigo.

As 13 torres de Chankillo

À primeira vista, a sequência de torres parece simples. Na prática, ela foi desenhada para funcionar como um marcador solar de grande escala. Vista de pontos de observação a leste ou a oeste, a linha acompanha o nascer e o pôr do sol durante todo o ano.

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Nos solstícios, o astro aparece nas extremidades do alinhamento. Nos equinócios e nas datas intermediárias, surge em posições diferentes entre as torres. Segundo estudo publicado na revista Science, essa leitura do horizonte fazia do sítio um observatório solar raro no mundo antigo.

A própria Unesco destaca que o sistema permitia marcar não só um dia específico, mas o ano sazonal inteiro, com precisão de um a dois dias. Não era um relógio portátil. Era uma paisagem inteira transformada em instrumento de tempo.

  • as torres cobrem o arco anual do nascer e do pôr do sol;
  • dois pontos de observação ajudavam a ler o horizonte;
  • o alinhamento servia para identificar solstícios, equinócios e datas intermediárias.,

Engenharia do deserto

Chankillo não se resume às treze torres. O complexo inclui o chamado Templo Fortificado, áreas administrativas, pontos de observação e marcos naturais incorporados ao desenho geral do sítio. Tudo indica planejamento cuidadoso, domínio do terreno e uso simbólico da paisagem.

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Outro detalhe chama atenção: o local teve vida relativamente curta. A Unesco informa que o complexo ficou em uso entre 250 e 200 a.C., depois foi destruído e abandonado. Isso ajuda a explicar por que os arqueólogos ainda discutem quem eram exatamente seus construtores e como essa tradição foi interrompida.

Luz e poder

O fascínio de Chankillo não está só na precisão. Ele está no que essa precisão permitia fazer diante da comunidade. Uma pesquisa publicada nos anais da União Astronômica Internacional propõe que as torres também regulavam um calendário social e ritual, fortalecendo a autoridade de uma elite em ascensão.

Em outras palavras, observar o Sol podia ser mais do que medir o tempo para plantar ou colher. Podia servir para marcar festas, organizar deslocamentos, legitimar chefias e transformar a luz em cena pública de autoridade. O céu, nesse contexto, funcionava como linguagem de poder.

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Essa leitura ganhou força com os achados anunciados pelo governo peruano em novembro de 2025. As escavações identificaram uma arquitetura astronômica possivelmente anterior ao observatório principal, um corredor alinhado ao ciclo lunar e uma grande vasilha cerimonial com figuras de guerreiros, achados que ligam saber astronômico, ritual e liderança militar.

Os próprios técnicos peruanos fazem uma ressalva importante: a datação por radiocarbono da estrutura mais antiga ainda está em andamento. Isso significa que o valor de Chankillo já é extraordinário por si só, mas parte das novidades recentes ainda depende de confirmação definitiva.

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