A psicologia costuma apontar oito qualidades recorrentes nesse grupo / Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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Mudanças de geração não aparecem só no jeito de falar ou consumir. Psicólogos observam que a infância e a juventude vividas nos anos 60 e 70 formaram um conjunto de habilidades mentais que, hoje, se tornaram menos comuns.
O motivo está no contexto: sem internet, sem notificações e com mais convivência presencial, havia treino constante de atenção, paciência e resolução de conflitos. Ao longo do tempo, isso impactou resiliência e maturidade emocional.
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Assim, ao comparar comportamentos e rotinas, a psicologia costuma apontar oito qualidades recorrentes nesse grupo. A seguir, entenda como cada uma delas se conecta ao ambiente da época e por que chama atenção atualmente.
Sem estímulos competindo a cada segundo, focar era mais simples. Por isso, manter concentração em leitura, estudo ou trabalho manual por longos períodos fazia parte da rotina, e não exigia esforço extra para “desligar” distrações.
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Além disso, a atenção contínua ajuda a formar memória e pensamento crítico. Quando o retorno não era imediato, a pessoa aprendia a tolerar frustração e a seguir adiante, em vez de trocar de tarefa a todo instante.
A realidade material era mais simples e, muitas vezes, mais estável. Desse modo, as expectativas sobre conforto e status ficavam mais ajustadas, com menos pressão para trocar itens o tempo todo ou correr atrás da tendência do momento.
Consequentemente, a satisfação não dependia de novidade constante. Isso tende a favorecer bem-estar e reduzir comparação social, já que o “padrão” não era definido por uma vitrine digital atualizada a cada minuto.
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Naquela época, nem todo incômodo virava emergência. Por isso, era comum suportar desconfortos pequenos com calma, avaliando o problema com mais proporção antes de reagir, o que fortalece regulação emocional.
Como resultado, decisões sob pressão podem sair menos impulsivas. A habilidade de manter a cabeça no lugar diante de contratempos também ajuda a reduzir ansiedade, porque o corpo não entra em “alerta máximo” o tempo todo.
O cotidiano reforçava que disciplina e constância entregam resultado. Assim, estudar mais, praticar e insistir eram atitudes diretamente conectadas a melhorar, sem a sensação de que tudo depende de fatores fora do controle.
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Além disso, esse padrão tende a formar adultos autônomos e responsáveis. Quando a pessoa associa conquista ao próprio empenho, ela ganha confiança para encarar desafios, ajustar rotas e manter a persistência quando algo falha.
Recompensas não chegavam “na hora”. Desse modo, planejar, esperar e conquistar etapas era parte do processo, o que treina tolerância à frustração e reduz o impulso de abandonar um objetivo por falta de retorno imediato.
Consequentemente, a pessoa aprende a lidar melhor com expectativa. Esse treino pode impactar autocontrole e escolhas de longo prazo, porque reforça a ideia de que resultado consistente costuma exigir tempo e continuidade.
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Discussões e conversas difíceis aconteciam mais no olho no olho. Por isso, a habilidade de negociar, ouvir e responder em tempo real era exercitada com frequência, fortalecendo empatia e comunicação assertiva.
Ao mesmo tempo, esse contato reduz ruídos típicos de mensagens curtas e interpretações apressadas. Sustentar diálogos desconfortáveis sem fugir do assunto ajuda a construir acordos e a evitar mal-entendidos que viram bola de neve.
Muitas pessoas aprenderam a não agir no calor da emoção. Assim, respirar, pensar e separar sentimentos de escolhas práticas virava uma estratégia para evitar arrependimento e conflitos futuros, especialmente em decisões importantes.
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Por isso, o comportamento fica menos reativo. Essa regulação emocional protege contra impulsividade e favorece autonomia, já que a pessoa escolhe com mais consciência do impacto da decisão, e não só pelo que sente no momento.
Sem respostas prontas, resolver problemas exigia experimentar. Desse modo, errar era parte do caminho, e a superação independente criava um senso de competência que fortalece confiança, persistência e tolerância ao fracasso.
Consequentemente, a resiliência se apoia em experiência real. A pessoa aprende fazendo, ajusta o que não funciona e segue, o que costuma aumentar a capacidade de adaptação em ambientes incertos e desafios do cotidiano.
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