A jaqueta da Adidas que o mundo inteiro quer, mas só um país pode ter

Inspirada na dinastia Tang, jaqueta do Ano-Novo Chinês viraliza e reforça a estratégia de personalização cultural da marca

Criada para celebrar o Ano-Novo Chinês e vendida exclusivamente na China, a mais recente coleção da Adidas ultrapassou as fronteiras do mercado asiático e se tornou objeto de desejo entre apaixonados por moda ao redor do mundo.

A linha, que une referências históricas chinesas ao icônico design das três listras, evidenciou a força da estratégia da marca alemã de adaptar suas produções às particularidades culturais de cada país.

Batizada informalmente de “Novo Estilo Chinês”, a coleção foi desenvolvida especialmente para o público local, mas ganhou projeção internacional ao viralizar nas redes sociais, especialmente no TikTok.

Fashionistas da Europa, dos Estados Unidos e de outros mercados passaram a buscar o modelo mais comentado da linha: uma jaqueta de inspiração tradicional, com gola mandarim, caimento oversized e fechamento híbrido que combina zíper e botões pankou, fechos tradicionais chineses feitos à mão com nós decorativos, típicos do vestuário clássico do país. 

A influenciadora Miki Rai, de Seattle, nos Estados Unidos, revelou nas redes sociais a coleção de 2026 da jaqueta que se tornou fenômeno de popularidade online: 

@mikiraiofficial

Which color is your fav? you can get these in Taiwan, China and HK! They’re big (unisex sizing) so recommend sizing down for the girlies! I’m wearing XS #adidas #CNY #chinesejackets @adidas

八方来财 – 揽佬SKAI ISYOURGOD

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Inspiração histórica e estética contemporânea

O destaque da coleção ficou por conta da jaqueta inspirada em trajes de cetim associados à dinastia Tang (618–907), período marcado por sofisticação estética e pelo simbolismo do vestuário como expressão de ordem, status e harmonia. Com modelagem mais solta, colarinho alto e quatro fechos decorativos, a peça se distancia do visual esportivo tradicional e aposta em uma linguagem que dialoga com a moda urbana e o luxo contemporâneo.

Confira todos os modelos da jaqueta até agora:

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As cores também fogem do óbvio. Tons como salmão suave e mostarda dourado remetem à prosperidade e à união, significados culturalmente ligados ao Ano-Novo Lunar. Embora criada para o cotidiano urbano, a jaqueta foi rapidamente reinterpretada como item de destaque, sendo chamada até de “fashion statement”, o que reforça o potencial da cultura chinesa como geradora de tendências globais.

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Exclusividade que gera desejo

Apesar do sucesso internacional, a Adidas confirmou que a coleção é vendida apenas na China continental e por tempo limitado. A exclusividade, longe de frear o interesse, alimentou ainda mais o hype. A busca por alternativas de compra em marketplaces e revendas internacionais se intensificou, transformando a peça em símbolo de autenticidade e distinção estética.

Segundo a marca, a decisão de restringir a venda faz parte de uma estratégia clara de personalização por mercado. A China, hoje um dos principais polos de consumo e influência cultural do mundo, tornou-se terreno fértil para experimentações visuais e narrativas regionais. Ao investir em referências locais sem esvaziar seu significado simbólico, a Adidas conseguiu dialogar com o público chinês e, ao mesmo tempo, despertar curiosidade global.

Cultura, moda e identidade

O fenômeno também revela um interesse crescente pela cultura chinesa em um cenário de disputas geopolíticas e transformações no eixo da moda internacional. Elementos tradicionais, quando tratados com precisão cultural e respeito histórico, ganham nova leitura e função no vestuário contemporâneo.

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A aposta em distinção estética, raízes culturais bem definidas e narrativas autênticas aponta para uma tendência que deve se intensificar em 2026: marcas globais cada vez mais atentas às identidades locais, criando produtos que não apenas vendem, mas comunicam pertencimento, história e significado.