Pesquisas revelam que espécie vulnerável é peça-chave no equilíbrio do oceano / Ilse Reijs and Jan-Noud/Wikimedia Commons
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Vídeos nas redes sociais transformaram o peixe-lua em piada global. O corpo arredondado e o jeito aparentemente lento fizeram muita gente acreditar que ele mal consegue sobreviver. No entanto, estudos recentes mostram exatamente o contrário.
Longe de ser inútil, o gigante marinho desempenha um papel essencial no equilíbrio dos oceanos. Entre suas funções está controlar populações de águas-vivas, o que pode reduzir episódios de queimaduras em banhistas e impactos na pesca.
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A descoberta muda a percepção sobre um dos peixes mais estranhos do planeta e acende um alerta: a espécie está ameaçada justamente por atividades humanas.
Quem observa apenas vídeos curtos costuma imaginar que o peixe-lua deriva sem controle pelo mar. Porém, pesquisas mostram que ele nada longas distâncias e consegue até enfrentar correntes fortes quando necessário.
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Além disso, o animal ocupa vários níveis da cadeia alimentar. Serve de alimento para grandes predadores e, ao mesmo tempo, regula espécies menores. Quando desaparece de uma área, todo o sistema pode se desequilibrar rapidamente.
A descoberta muda a percepção sobre um dos peixes mais estranhos do planeta / Fred Hsu / Kai Squires/Wikimedia CommonsEspecialistas alertam que rotular espécies como irrelevantes reduz investimentos em proteção e pesquisa. A consequência pode ser grave, já que a perda de um único elo marinho costuma provocar efeitos em cascata difíceis de reverter.
Veja também: Peixe 'rouba' dentes de humanos, se adapta a rio e tem fama de atacar partes íntimas de nadadores.
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Ao contrário da maioria dos peixes, o peixe-lua não usa a cauda para nadar. O deslocamento ocorre pelo movimento sincronizado das nadadeiras dorsal e anal, que funcionam como remos potentes e precisos.
Graças a esse mecanismo, ele consegue mergulhar a grandes profundidades, frequentemente entre dezenas e centenas de metros. Em alguns casos, ultrapassa 400 metros antes de retornar à superfície para regular a temperatura corporal.
Quando aparece boiando de lado, a cena não indica fraqueza. Essa posição permite que aves e pequenos peixes removam parasitas da pele, funcionando como uma espécie de “limpeza” natural indispensável à saúde do animal.
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Durante décadas acreditou-se que o peixe-lua se alimentava quase exclusivamente de águas-vivas. Hoje se sabe que sua dieta é variada e inclui crustáceos, moluscos e pequenos peixes, adaptando-se conforme a idade.
Ao contrário da maioria dos peixes, o peixe-lua não usa a cauda para nadar / Nol Aders/Wikimedia CommonsAinda assim, as medusas continuam sendo parte importante do cardápio. Ao consumi-las em grande quantidade, a espécie ajuda a evitar explosões populacionais que prejudicam o turismo costeiro e outros organismos marinhos.
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Apesar da aparência robusta e do tamanho impressionante, que pode superar três metros e quase três toneladas, o peixe-lua é considerado vulnerável. Redes de pesca e lixo plástico estão entre as principais ameaças à sua sobrevivência.
Sacolas plásticas, por exemplo, podem ser confundidas com águas-vivas e ingeridas acidentalmente, causando bloqueios fatais. Assim, o animal ridicularizado online revela-se, na verdade, um aliado silencioso dos oceanos — e também de quem entra no mar sem imaginar o que acontece nas profundezas.