Em Afuá é proibido andar de carro, moto ou outros veículos motorizados / Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Imagine uma cidade no Brasil com zero congestionamentos, sem barulho de motores a combustão e onde crianças brincam nas ruas sem medo de atropelamentos. Esse lugar não é uma utopia futurista, mas uma realidade vibrante no norte do país. Estamos falando de Afuá, no Pará. Localizada no Arquipélago do Marajó, a cidade possui uma característica singular confirmada por dados do IBGE e destacada em reportagens do Ministério do Turismo: uma lei municipal proíbe terminantemente a circulação de carros, motos e caminhões dentro do perímetro urbano.
Conhecida carinhosamente como a "Veneza Marajoara", Afuá adaptou sua existência à força das águas e criou um ecossistema urbano único no mundo, onde o pedal é rei.
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A proibição dos veículos motorizados não nasceu apenas de uma consciência ecológica, mas de uma necessidade geográfica imperativa. Afuá é construída sobre uma área de várzea, sujeita às marés dos rios da Amazônia. O solo não sustentaria o peso do asfalto ou de veículos pesados.
Por isso, a cidade ergue-se sobre palafitas. Suas "ruas" são, na verdade, um complexo labirinto de passarelas de madeira erguidas a metros do chão alagadiço. Caminhar por Afuá é ouvir o rangido das tábuas sob os pés e ver a água fluindo sob as casas durante a maré cheia.
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Sem carros, a população de cerca de 38 mil habitantes (segundo estimativas recentes do IBGE) encontrou na bicicleta sua solução universal. Mas não são apenas bicicletas comuns. Em Afuá, nasceu a cultura dos "bicitáxis".
São quadriciclos movidos a pedal, construídos unindo duas ou mais bicicletas, equipados com bancos confortáveis, cobertura para sol e chuva e, frequentemente, sistemas de som potentes. Esses veículos são o principal meio de transporte público e de carga, sendo super decorados e coloridos, refletindo a personalidade de seus donos. É um desfile constante de criatividade sobre rodas.
Quem visita Afuá relata imediatamente o impacto sonoro. Em vez de buzinas e motores, ouve-se uma "orquestra" de correntes de bicicleta, campainhas manuais e conversas entre vizinhos.
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A cidade se tornou um exemplo involuntário de mobilidade sustentável. Além de ser um polo turístico exótico para quem busca o "Brasil profundo", Afuá prova que é possível uma vida urbana funcional e vibrante longe da dependência do automóvel, adaptando-se à natureza em vez de tentar dominá-la com concreto.