Cidade do Rio Grande do Norte abriga árvore rara do tamanho de um campo de futebol

O Cajueiro de Pirangi é uma atração natural que cresce há mais de um século e transformou o turismo da região

Uma 'floresta' formada por um único organismo, símbolo vivo da cidade de Parnamirim (RN)

Uma 'floresta' formada por um único organismo, símbolo vivo da cidade de Parnamirim (RN) | Prefeitura de Parnamirim

Em Parnamirim, na região metropolitana de Natal (RN), uma árvore virou símbolo, destino turístico e fenômeno biológico. O Cajueiro de Pirangi, reconhecido pelo Guinness World Records desde 1994, ocupa uma área equivalente a um campo e meio de futebol, com uma copa que ultrapassa 9 mil m².

O que impressiona não é apenas o tamanho, mas o fato de ser um único organismo vivo, formado por galhos que se expandem horizontalmente, tocam o solo e criam novas raízes, como se clonassem a si mesmos. De longe, parece uma floresta; de perto, é apenas uma árvore.

Veja algumas imagens e pequenos fatos sobre a curiosa árvore reconhecida pelo Guinness World Records:

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Um gigante à beira-mar

Localizado na Praia de Pirangi do Norte, o cajueiro domina a paisagem e movimenta a economia local. Passarelas de madeira conduzem o visitante por baixo da copa, e um mirante de 10 metros de altura oferece uma vista que ajuda a compreender a dimensão do fenômeno.

Estima-se que o cajueiro tenha sido plantado em 1888 por Luís Inácio de Oliveira, um pescador que, segundo o folclore, morreu sob a sombra da própria criação. Hoje, com mais de 135 anos, a árvore é tratada como patrimônio vivo de Parnamirim.

Falando em pontos turísticos com mais de um século, conheça esta fazenda no interior de SP — com mais de 400 anos e considerada uma relíquia viva da história brasileira.

De curiosidade a motor econômico

Com cerca de 300 mil visitantes por ano, o Cajueiro de Pirangi é o principal atrativo da Rota do Sol, roteiro turístico que liga praias do litoral potiguar. No entorno, feiras de artesanato e comércios prosperam — um exemplo de como a natureza pode sustentar a economia.

Durante décadas, o cajueiro também foi um produtor expressivo: colhia-se até 80 mil cajus por safra, algo em torno de 2,5 toneladas. Hoje, o valor maior está no turismo e na preservação, mais do que na produção de frutos.

O canal ‘Vanspilla’, mostra imagens desse impressionante ponto turístico natural: 

Mistério biológico e curiosidades

O crescimento descomunal do cajueiro se deve a duas mutações genéticas raras. A primeira faz com que seus galhos cresçam lateralmente, e não para cima. A segunda permite que, ao tocar o solo arenoso, esses galhos criem raízes e se tornem novos troncos, geneticamente idênticos ao original.

Um detalhe curioso: um dos cinco galhos principais não se enraíza e cresce como um cajueiro comum. Por isso, os moradores o apelidaram de “salário mínimo” — pela performance modesta em comparação aos demais.

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Entre a natureza e a cidade

O crescimento contínuo trouxe desafios urbanos. Partes da copa ultrapassaram o limite do parque e chegaram até a rodovia RN-063, o que gerou uma longa disputa sobre a necessidade de poda. Ambientalistas temem que uma intervenção brusca prejudique a árvore; já moradores e o órgão ambiental do estado alegam riscos à segurança e à infraestrutura.

O custo estimado para o manejo é de R$ 200 mil, com previsão de execução após o período de frutificação — uma negociação delicada entre conservação e modernização.

Rival à vista

O título de “maior cajueiro do mundo” pode, em breve, mudar de mãos. No Piauí, o Cajueiro-Rei, localizado em Cajueiro da Praia, reivindica o recorde, com medições recentes de 8.800 a 8.880 m². O pedido de homologação ainda está em análise pelo Guinness.

Mais do que uma disputa botânica, trata-se de um embate de identidade e turismo: o título garante visibilidade, prestígio e fluxo de visitantes.

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Um monumento vivo

Enquanto o resultado não vem, Parnamirim segue celebrando seu gigante verde. Comparado a fenômenos naturais como o Pando, nos Estados Unidos — um sistema de árvores geneticamente idênticas interligadas por raízes subterrâneas —, o Cajueiro de Pirangi é uma versão tropical e visível desse mesmo princípio.

Ele não é o mais alto nem o mais antigo, mas talvez o mais expansivo: uma árvore que, há mais de um século, cresce para os lados e não para o céu, transformando a paisagem e a história de uma cidade inteira.