Visitar Ilha Comprida é conhecer um litoral que se recusa a virar uma selva de pedra, / Imagem ilustrativa
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Imagina percorrer 74 quilômetros de praias praticamente intocadas, onde o asfalto dá lugar às dunas e o barulho dos prédios é substituído pelo som da restinga. Esse cenário, cada vez mais raro no litoral de São Paulo, define a Ilha Comprida.
No entanto, este paraíso de baixa densidade demográfica e natureza exuberante enfrenta um "inimigo" silencioso e implacável: o próprio mar.
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O que antes era um processo lento de erosão costeira ganhou contornos dramáticos na última década. Dados do Mapa de Risco à Erosão Costeira, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), confirmam que o oceano não está apenas chegando mais perto, ele está avançando sobre a ilha.
O problema é crítico em pontos específicos que já sentem o impacto no dia a dia:
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Praia do Araçá: Onde a força das marés desafia a engenharia.
Ponta da Praia: Trechos onde a areia parece sumir a cada nova ressaca.
Por ser uma reserva ambiental, a Ilha Comprida não pode ser tomada por concreto / J.D.RebelloPara quem vive ou visita a região, a ameaça deixou de ser apenas estatística. A prefeitura precisou recorrer ao enrocamento, o uso de grandes blocos de rocha para conter a força das ondas. É uma medida de guerra para proteger casas e garantir que a mobilidade na Ponta Norte não seja interrompida.
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Por ser uma reserva ambiental, a Ilha Comprida não pode ser tomada por concreto. É justamente essa atmosfera "selvagem" que atrai fotógrafos e observadores de aves, mas é essa mesma fragilidade que torna a cidade vulnerável.
Com a chegada das ressacas de inverno, o monitoramento, que acontece desde 2001, é intensificado. O município já sinalizou aos órgãos ambientais que novas obras emergenciais podem ser necessárias para evitar que o acesso a partes vitais da ilha seja literalmente "levado pelas ondas".
Hoje, a Ilha Comprida é um destino de resistência. Visitar a região é conhecer um litoral que se recusa a virar uma selva de pedra, mas que agora luta, minuto a minuto, para não desaparecer sob o azul do Atlântico.
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