Várias marchinhas que eram sucesso, hoje em dia, não soam mais engraçadas / Reprodução/Prefeitura de Santos
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O Carnaval começou. Os trios elétricos já estão na rua e a confete voa. Mas, se você prestar atenção na trilha sonora deste ano, vai notar um silêncio estranho em alguns momentos.
Em 2026, a folia passa por uma revisão histórica. Blocos tradicionais de cidades como Rio, São Paulo e Santos, além de prefeituras, decidiram "aposentar" ou adaptar músicas que carregam letras consideradas racistas, machistas ou homofóbicas.
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O debate não é sobre acabar com a festa, mas sobre quem se diverte à custa de quem.
Confira a lista das 5 marchinhas que estão na "geladeira" neste Carnaval:
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1. O Teu Cabelo Não Nega (Lamartine Babo, 1932)
É talvez o caso mais famoso. Apesar da melodia contagiante, a letra é duramente criticada por racismo e objetificação da mulher negra, especialmente nos versos que falam sobre a "cor que não pega" e o "cabelo duro". Muitos blocos a baniram completamente do repertório oficial.
2. Cabeleira do Zezé (João Roberto Kelly, 1964)
O refrão "Será que ele é?" foi usado por décadas para ridicularizar homens gays ou que fugiam do padrão estético masculino da época.
A mudança: Hoje, muitos músicos adaptaram a letra ao vivo. Em vez da pergunta maliciosa, eles cantam: "Olha a cabeleira do Zezé / Será que ele é... feliz?".
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3. Maria Sapatão (Chacrinha, 1981)
Popularizada pelo Chacrinha, a música utiliza um termo pejorativo para se referir a mulheres lésbicas, transformando sua orientação sexual em piada e motivo de "cura" ("de dia é Maria, de noite é João"). Tem desaparecido rapidamente dos bailes e ruas.
4. Índio Quer Apito (Harold Lobo/Milton de Oliveira, 1961)
Esta marchinha retrata os povos indígenas de forma infantilizada e caricata, reforçando estereótipos prejudiciais. Em tempos de maior conscientização sobre a causa indígena e apropriação cultural, ela se tornou inviável em muitos circuitos.
5. Nega Maluca (Evaldo Ruy/Fernando Lobo, 1950)
A música é a base para a fantasia de mesmo nome, que utiliza o "blackface" (pintar o rosto de preto de forma exagerada). A prática é considerada racista. Tanto a música quanto a fantasia associada a ela estão sendo amplamente rejeitadas pelos foliões mais conscientes.
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A "aposentadoria" dessas músicas abre espaço para novas composições. Marchinhas feministas, músicas de protesto político e hits atuais do pop e funk assumem o lugar, provando que o Carnaval continua sendo um espelho da sociedade — com todas as suas mudanças.