‘Uivando que nem cachorro’ é a música nova de Latino

Cantor completa 25 anos de carreira com ritmos variados e afirma ser um músico eclético

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16 MAI 201511h50

Você pode até negar, mas pelo menos uma música dele você sabe cantar. Mesmo que você tenha mais de 30 anos ou menos de 20. Ele já emplacou vários ‘hits’ pelas rádios do País, já se apresentou mil vezes em programas de TV e, este ano, completa 25 anos de carreira. Já sabe quem é? Roberto Souza Rocha, mais conhecido como Latino.

A primeira música de sucesso foi ‘Baby, Me Leva’, quando a batida do funk se misturou às letras mais românticas, lá pelos anos 90. Para ele, todas as suas músicas foram importantes para a carreira. “Todas as minhas músicas são especiais. Cada música marcou uma época da minha carreira. Se você pegar o ‘Tchu ru ru ru’ (Vitrine) é uma época, o ‘Baby, Me Leva’ outra época, ‘Renata Ingrata’ é outra época, ‘Festa no Apê’, ‘Kuduro’. É bem revolucionário. Eu sou bem desprovido de segmento. Eu não me coloquei como um artista específico de um ritmo. O Latino é eletrônico? É. O Latino é funk? É. O Latino é tudo. Latino vem de festa, de alegria, de amor”, conta.

Para comemorar os 25 anos de carreira, no fim de 2015, Latino vai lançar um álbum duplo — um CD com as suas músicas de sucesso e o segundo com as músicas novas. E é no CD de músicas inéditas que o cantor vai apresentar um novo ritmo aos brasileiros: o batchata. “A batchata nada mais é do que um primo do bolero e é um pouco mais jovem. Tem algumas figuras lá fora que estão arrebentando com o batchata. Eu ouço a batchata há mais de cinco anos e aí eu pensei em uma forma de deixar o ritmo um pouco brazuca. Não com a tendência latina, mas com algumas características brasileiras”, explica. A batchata é original da República Dominicana.

A nova música de trabalho se chama ‘Uivando Que Nem Cachorro’ e, com ela, o cantor entra na tendência ‘sofrência’, já bem conhecida entre os brasileiros como uma vertente recente do forró. “A gente queria fazer um lúdico entre o homem ‘cachorrão’ e o animal. Porque o homem chora quando está sofrendo e o cachorro uiva quando está triste ou carente. Então, a gente brincou com o lúdico, mas ao mesmo tempo, trabalhando a coisa da sofrência. A batchata tem muito desta coisa da sofrência, então a gente resolveu misturar sofrência com irreverência”. 

“Peço que as pessoas entendam a minha elasticidade

Esta não será a primeira vez que o cantor mistura um ritmo latino em suas composições. Em 2011, Latino trouxe o kuduro — ritmo angolano — para o Brasil e fez sucesso com “Dança Kuduro”, uma adaptação de Daddy Kall para a música de Don Omar e Lucenzo, da Angola. “Eu vivo em laboratório musical. Eu vivo pesquisando e vendo o que está acontecendo no mundo. Eu sou um cara muito inspirado em novas tendências e eu tento, de uma forma ou de outra, me revolucionar assim também”, explica.

Esta diversidade de ritmos em seu repertório ao longo dos 25 anos fez o cantor passar por diversos ritmos brasileiros, do funk ao sertanejo. “Eu sou um cara eclético. Esta elasticidade musical é, exatamente, para que eu possa surfar em todos os segmentos sem mudar minha característica, que é a ousadia”, justifica, afirmando ainda que a dança — pela qual se destacou nos anos 90 — é um complemento disso. “A dança é um pouco minha, da coisa do showman. Eu gosto de dançar, é uma coisa que me completa. E isso também era uma coisa revolucionária para a época”, conta.

Para ele, a primeira apresentação em um programa de TV ainda é a mais marcante de sua carreira. “Foi no Xuxa Park. Eu era um artista que cantava em inglês no início, foi bem legal”, lembra. Na festa de 50 anos da TV Globo, Latino comemorou mil aparições em programas de auditório. “Para mim, não teve presente melhor no mundo”, completa.

Em 2016, Latino já pensa em preparar um DVD de comemoração. No entanto, questionado sobre o que ainda sonha em fazer na carreira, o cantor só se diz agradecido. “Eu sou muito grato a Deus por todas as oportunidades que ele me deu. Eu só peço a Deus para que eu possa continuar fazendo o meu trabalho, com a minha irreverência. E peço que as pessoas entendam a minha elasticidade”, finaliza.