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Cultura

Temer escolhe jornalista Sérgio Sá Leitão para Ministério da Cultura

Em comunicado anunciando a escolha, o Ministério da Cultura disse que Sá Leitão tem "ampla e reconhecida experiência na área cultural"

O presidente Michel Temer escolheu o jornalista Sérgio Sá Leitão para comandar o Ministério da Cultura / Divulgação/Ministério da Cultura

O presidente Michel Temer escolheu o jornalista Sérgio Sá Leitão para comandar o Ministério da Cultura. A pasta estava sem titular desde maio, quando Roberto Freire (PPS) pediu demissão após a crise política aberta pela delação da JBS.

Sá Leitão, 49, foi secretário municipal de Cultura do Rio, na gestão Eduardo Paes (PMDB) e chefe de gabinete do Ministério da Cultura no período em que a pasta foi comandada por Gilberto Gil. Em abril, assumiu a direção da Ancine (Agência Nacional do Cinema). Ele já foi cotado para o MinC em maio do ano passado, mas Temer optou pelo nome de Marcelo Calero para a pasta.

Em comunicado anunciando a escolha, o Ministério da Cultura disse que Sá Leitão tem "ampla e reconhecida experiência na área cultural".

Nos anos 1980 e 90, trabalhou no "Jornal do Brasil", na Folha de S.Paulo e no "Jornal dos Sports". Desde de 2003, Sá Leitão transita por cargos que vão de assessor da presidência do BNDES à diretoria da Ancine, e governos díspares, como o de Lula (PT) e o do ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PMDB).

Em 2009, Sá Leitão foi chamado por Paes para presidir a RioFilme, agência de fomento ao audiovisual carioca. No cargo, em que permaneceu até 2015, o atual ministro exalta números: "R$ 185,5 milhões investidos em 484 projetos, com saldo de 32 mil empregos, movimentando R$ 2 bilhões", afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo, em fevereiro.

O presidente era pressionado por seus aliados a fazer uma indicação política para o ministério, mas seus auxiliares tinham receio de uma reação negativa da classe artística, que faz constantes críticas ao atual governo e defende a saída de Temer do cargo.

Temer chegou a sondar a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), que comandou a pasta no governo Dilma Rousseff, mas ela não aceitou voltar ao posto.

Com a recusa, o presidente havia decidido deixar a nomeação apenas para depois da tramitação no plenário da Câmara de denúncia por corrupção passiva contra ele.

Ele, no entanto, resolveu antecipá-la para evitar que o PTB, que tinha interesse no posto, condicionasse o comando da pasta ao apoio para barrar a acusação contra ele.

A escolha de Sá Leitão, segundo assessores presidenciais, atende a cobranças para que o ministério fosse comandado por um nome com experiência no setor cultural, mas que também detenha entrada no meio político. O novo ministro tem boa relação, em especial, com o PMDB do Rio.

Procurado, ele não respondeu ao pedido de entrevista.

Sá Leitão será o terceiro titular do Ministério da Cultura em pouco mais de um ano de governo Temer.

Além de Roberto Freire, também comandou a pasta o diplomata Marcelo Calero, que pediu demissão em novembro ao acusar o ex-ministro Geddel Vieira Lima de pressioná-lo para liberar a construção de um edifício nos arredores de uma área tombada de Salvador.

Quando assumiu interinamente a Presidência, em maio de 2016, Temer chegou a extinguir o Ministério da Cultura, que virou uma secretaria vinculada ao Ministério da Educação. Após protestos de artistas e gestores públicos, o presidente decidiu recriar a pasta, que foi entregue a Calero.

A relação do governo Temer com a classe artística tem sido marcada por protestos. Em setembro, Marcelo Calero, então ministro, foi xingado de "golpista" pela plateia de um festival de cinema em Petrópolis, no Rio, e abandonou o evento. Meses depois, Freire foi vaiado na entrega do Prêmio Camões e criticou o homenageado do evento, o escritor Raduan Nassar.

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