Tal pai, tal filho

Ser Papai Noel é uma tradição de 34 anos na família Duarte

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03 MAR 201301h17

Um olhar infante de admiração e surpresa que parece ler a alma daquele que veste uma calorenta roupa vermelha para tornar eterno o momento do Natal. Aquele olhar de criança comove o Papai Noel solidário. Este momento único, fruto do espírito de Natal, é o que move a família Duarte há quase quatro décadas.

Em 1971, Olavo Mercadante Duarte, praticamente intimado por colegas, vestiu-se de Papai Noel e fez a alegria de um grupo de crianças. Sr. Olavo recorda que ao se deparar com as crianças sentiu uma emoção tão forte, que não pôde conter as lágrimas. Daí em diante, Sr. Olavo iniciou uma jornada de 19 anos levando alegria e brinquedos aos pequeninos, na pele de Papai Noel.

“Eu nunca me esqueço. Em umas dessas vezes, eu entregava o brinquedo para as crianças que formavam fila até que uma menina pequenininha olhou para mim e disse: O Papai Noel também chora!”, a surpresa da pequenina gerou uma comoção geral em todos, e em poucos instantes, todos choravam, lembra o Sr. Olavo. “E é isso que torna tão especial esse momento e faz com que a gente prossiga com a festa”.

Sr. Olavo que também era pai, nem sempre estava sozinho nas entregas dos presentes, na creche da Casa Estrela Guia, no sopé do Morro do Marapé. O filho de 3 anos, Vitor, levado por sua mãe Elenice, nem imaginava que aquele Papai Noel era o seu pai. Vitor só foi descobrir a identidade do Papai Noel por um descuido dele.

Certa vez, Sr. Olavo esqueceu de por as luvas e Vitor reconheceu a aliança de casamento de seus pai. Ele tinha apenas 9 anos de idade. “Ele gritava, O Papai Noel é o meu pai!”, recorda-se Dona Elenice sorrindo.

Sr. Olavo parou de fazer as entregas, mas a tradição seguiu com Vitor. Aos 23 anos de idade, Vitor teve sua primeira experiência como Papai Noel. Neste dia foi tomado pela mesma emoção que sentiu Sr. Olavo. Comovido, a vontade de alimentar o sonho de felicidade das crianças carentes tornou-se uma missão de vida. “Eu fico muito emocionado em todas as entregas e pretendo fazer isso até o fim da minha vida. Assim que visto a roupa de Papai Noel eu me transformo. Sinto uma coisa incrível, boa acho que por esse espírito de festas de fim de ano, de família, de solidariedade. E quando a gente vê aquelas crianças olhando para a gente com tanta admiração, fica difícil segurar a emoção”.

Vitor também coleciona momentos inesquecíveis ao longo desses 15 anos em que assume a identidade do Bom Velhinho. “Fui convidado para visitar e entregar o presente a um moleque de 10 anos de idade. Assim que ele me viu, ficou paralisado. A emoção foi tão forte que ele chorava e ria ao mesmo tempo. Eu também fiquei tocado com aquela cena e só perguntei se ele não ia dar um abraço no Papai Noel. Aí, não deu para segurar. Ficamos abraçados e os dois chorando naquele momento. Foi emocionante”.

A história parece se repetir na Família Duarte. A filha mais nova de Vitor, Victória, de 9 anos, ainda não sabe que o Papai Noel que visita sua casa no Natal é o seu próprio pai. “Eu acho que esse ano, ela descobre. Ela fica olhando, observando tudo, sei que ela vai descobrir”, diz Vitor. “A Bárbara (filha mais velha, 15 anos) também descobriu nessa idade”. 

Quem sabe ao descobrir, Victória não leve adiante o espírito natalino cultivado pela família, a outras gerações como Mamãe Noel. A história da Família Duarte que transformou amor e solidariedade em tradição é praticamente um conto de Natal.