Sobrinho-neto de Cândido Portinari relembra ataque de tubarão em autobiografia

João Pedro Portinari Leão expõe em 'A Isca' todo o drama que passou ao sofrer o ataque de um dos tubarões mais temidos do oceano

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17 SET 2020Por Da Reportagem10h10
Nascido no Rio de Janeiro, João Pedro Portinari Leão vem de uma família de pescadoresFoto: DIVULGAÇÃO

"Não fiquei assustado ou desesperado. Foi matemático, como um mais um é igual a dois. Tive certeza de que iria morrer. Seria rápido e sem sofrimento. O tubarão veio de baixo para cima, do fundo do oceano, e abocanhou minha perna, segurando-a com seus dentes e rasgando minha pele". O trecho acima é o ápice de 'A Isca', de João Pedro Portinari Leão. 

Sobrevivente a um ataque de tubarão “no quintal de casa”, o sobrinho-neto de Cândido Portinari transmitiu toda a adrenalina em um relato tão emocionante quanto assustador. 'A Isca', publicado pela editora Edite, mergulha na surpreendente história real do windsurfista e escritor que passou a ser chamado de João Tubarão.

Em 1997, João tinha acabado de voltar de uma viagem de seis meses no Havaí. “Estava com mais coragem do que nunca”, relembra na obra. Ele e um amigo tinham comprado uma prancha de windsurfe e estavam testando até onde poderiam chegar com o “brinquedinho novo”. No dia 20 de abril daquele ano, um domingo véspera de feriado de Tiradentes, João saiu para velejar em condições perfeitas: muito sol e vento em Búzios (RJ).

O que ele não sabia era que aquele dia ideal para praticar seu esporte favorito traria o maior desafio da sua vida: encarar de frente um tubarão-branco de quase quatro metros de comprimento que atacou sua panturrilha. Mas o animal se assustou com a vela do windsurfe e foi embora. Nesse momento iniciou-se uma saga para sobreviver ao ataque.

"Vi um pedaço do seu dorso passando na velocidade de uma bala bem na minha frente. Em seguida, sua nadadeira, saindo da água, bateu na minha vela que, ainda nas palmas das minhas mãos, caía sobre nós. Pude ouvir o estrondo da batida — levado pelo tubarão, parti para o que acreditei ser meu último mergulho”, relembra. 

 

“Hoje, entendo porque fui atacado por um tubarão-branco no quintal de casa. Invadi o território dele). Não respeitei o mar. Achava que era dono dele. Aprendi que não sou dono do mar. Os verdadeiros donos são os peixes”, relata.

Nascido no Rio de Janeiro em 8 de fevereiro de 1975, João Pedro Portinari Leão vem de uma família de pescadores - seu pai, avós e tios praticam pesca submarina e o contato com a praia sempre foi visceral. A autobiografia, que levou dez anos para ser publicada, é inclusive um apanhado das histórias da família de João. 

Tanto é que mesmo depois do trágico encontro, João não deixou de praticar o esporte e, após mais de sete meses de recuperação, voltou à liberdade que apenas o oceano oferecia.   

Formou-se em Marketing em 2000 e, antes mesmo de receber o diploma, embarcou para o arquipélago de Tuamotu, no coração da Polinésia Francesa. Lá, construiu uma fazenda de pérolas e passou os 12 anos seguintes. De volta ao Brasil, aventurou-se no mundo empresarial, pegando fôlego para em breve viver do mar novamente, dessa vez acompanhado da família.