Riqueza arqueológica da região é tratada em livro

A obra é assinada por Fábio Malavoglia, Maria Lúcia Montes e Zaida Siqueira, conta com 208 páginas e cerca de 300 imagens e será distribuída gratuitamente para instituições educacionais e culturais na região

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07 JUN 201402h09

Estilhaços de antigos vasos de faiança portuguesa, ferraduras de cavalos e asnos, fragmentos de sopeiras e até ossos de carnes comidas há cem anos.

Esses são alguns dos objetos identificados que brotaram de um subsolo urbano por onde passam diariamente milhares de pessoas. Todo esse material é apresentado no livro A história sob a terra: achados arqueológicos na Baixada Santista.

A obra é assinada por Fábio Malavoglia, Maria Lúcia Montes e Zaida Siqueira, conta com 208 páginas e cerca de 300 imagens e será distribuída gratuitamente para instituições educacionais e culturais na região. O lançamento do livro será no dia 13 de junho, às 20 horas na Pinacoteca Benedicto Calixto (Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos). A entrada é gratuita.

A coleta desta “história submersa” revela vestígios de uma ocupação remota que ocorreu quando a Comgás (Companhia de Gás de São Paulo), em vista da implantação do sistema de dutos para a distribuição de gás natural, entre 2007 e 2009, contratou a Scientia – Consultoria Científica para efetuar o monitoramento arqueológico.


>ru ínas - Obra será distribuída gratuitamente para instituições educacionais e culturais na região (Foto: Zaida Siqueira)

Segundo Zaida Siqueira, “é o relato da descoberta de uma cidade invisível sob a cidade, com base em trabalhos científicos de arqueologia”. Ela é a idealizadora do projeto, que teve o patrocínio da Comgás. Zaida acredita que o tema tem todos os ingredientes para seduzir estudantes, pesquisadores e população em geral. “Vai agradar até mesmo aos turistas que se interessem pela história de Santos”.

Publicado pela DZ Produções Artísticas, o texto foca bastante os achados arqueológicos encontrados na abertura do gasoduto, mas não se limita a eles. Divididos em 12 capítulos, são relatadas também as descobertas arqueológicas passadas — como o frontão com a mais antiga inscrição católica do Brasil, em São Vicente, descoberto no século XIX, ou a lápide de Frei Gaspar da Madre de Deus, primeiro historiador santista, também resgatada no século XIX.

Achados de outros arqueólogos também são mencionados, como a descoberta do mais antigo muro de alvenaria do país, no Museu Casa Martim Afonso, no centro de São Vicente, ou os restos do segundo hospital da Misericórdia, na Praça Mauá, ou o canal subterrâneo do Rio São Bento, no Valongo, encontrado por um marceneiro, e explorado por arqueólogos do Nupec (Núcleo de Pesquisa e Estudo em Chondrichthyes) e pelo historiador Waldir Rueda Martins, já falecido.