Questões de gênero e papel social dão o tom do #FESTA60 hoje

Em ‘Feminino Abjecto’ é uma performance ritualizada, resultado do processo criativo de 13 performers - 12 mulheres e uma pessoa não-binária - que investigam suas relações com o conceito de feminino e, consequentemente, com suas obscuridades e contradições

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01 SET 2018Por Rafaella Martinez09h54
“A Revolução das Águas” aborda com poética sensibilidade o universo feminino, representado pelas lavadeiras“A Revolução das Águas” aborda com poética sensibilidade o universo feminino, representado pelas lavadeirasFoto: Divulgação

Espetáculos da mostra estadual entram em cena hoje no FESTA 60. Em ‘Feminino Abjecto’ é uma performance ritualizada, resultado do processo criativo de 13 performers - 12 mulheres e uma pessoa não-binária - que investigam suas relações com o conceito de feminino e, consequentemente, com suas obscuridades e contradições. 

Através do uso da narrativa e do debate, o espetáculo levanta provocações e desconstrói os papéis e estereótipos já consolidados em nosso imaginário. Ao tecer uma relação de proximidade com o público em um evento teatral pungente, coloca em xeque muitas das noções já estabelecidas, sobretudo as percepções de papéis sociais e de gênero. 

Já em Naturaleza Muerta quatro mulheres estrangeiras convivem com situações absurdas de maneira serena ou simplesmente se distanciam destas. Conduzidas por uma ?gura opressora onipresente, suas identidades e memórias foram perdidas nesta nova terra, dentro destas novas ordens. Porém, os lapsos de memória de uma das personagens, assim como a apresentação de uma banda desconhecida, Las Manzanas, fazem com que a normatização que vivem seja questionada. Livremente inspirado no livro “Gracias por el Fuego” do uruguaio Mário Benedetti (1920-2009). 

Na mostra regional, O Coletivo Makeshake faz uma releitura de Shakespeare. O espetáculo adulto e performático tem como tema o conteúdo narrativo de toda a obra dramatúrgica de William Shakespeare re-significada pela criação de 46 performers. Em 40 espaços cenográficos, tais como gazebos, guarda-sóis, esteiras e beira do mar, as obras do autor são abordadas, cenicamente, por atores que representam suas personagens, mas que, também, constroem, como performers, seu depoimento pessoal sobre a obra, num encontro entre o passado renascentista e a contemporaneidade.  Para apresentação, O público, preferencialmente, deverá estar com seus trajes de banho. 

Já “A Revolução das Águas” aborda com poética sensibilidade o universo feminino, representado pelas lavadeiras, seus cantos, costumes, saberes e contos de realismo fantástico. Apresentando raízes culturais, através da força da oratória, fé, festivas manifestações e samba de roda. Pretendemos estabelecer um olhar para o estrangeiro na própria terra, porque em cada pedaço de terra habita um folclórico imaginário.... Que tece a verdade desta mistura de cores, crenças e raças.

A programação musical vem com a intervenção urbana ‘A Praça é Delas’. A festa de ocupação de rua  - que existe desde 2016 -  terá como convidadas a DJ Sol e da influenciadora digital Mayara EFE, além das DJs residentes Laureta, Karola e Rosa. 
 
AGENDA

Sábado, 1 de Setembro

10h – Centro Cultural Cadeia Velha | Oficina de Interpretação Melodramática, com Fabíola Morais

 

12h – Emissário Submarino | Arrastão, da Cia Etra de Dança (Santos)

14h - Centro Cultural Cadeia Velha | Roda de conversa ‘Perspectiva Histórica e Contemporânea da Mulher no Teatro

16h e 17h – Emissário Submarino | Willian...e nós..., do Coletivo Makeshake (Baixada Santista)

19h – Teatro Guarany | A Revolução das Águas, da Associação Cultural Incena Brasil (Cubatão)

20h30 – Doca Valongo | Feminino Abjecto, do Núcleo Feminino Abjecto (São Paulo)

23h – Centro Cultural Cadeia Velha| Naturaleza Muerta, da Cia La Desdeñosa (São Paulo)

23h49 – Praça dos Andradas | Intervenção Urbana ‘A Praça é Delas’