Cultura

Modelo de gestão da Cadeia Velha segue indefinido

Em fase final de construção, Secretaria da Cultura do Estado ainda estuda como funcionará a gestão do equipamento

Rafaella Martinez

Publicado em 20/12/2015 às 11:30

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Artistas aguardam plano de gestão do espaço, que deverá ser entregue em fevereiro / Luiz Torres/DL

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O destino de um dos imóveis mais valiosos de Santos segue indefinido. Fechada há mais de três anos, a Cadeia Velha ainda não possui um plano de gestão desenvolvido para sua reabertura, que deverá acontecer, de acordo com estimativa da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, após o primeiro bimestre de 2016.

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Em julho, após audiência pública, uma decisão conjunta da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e Secretaria de Cultura de Santos (Secult) determinou que o imóvel continuaria sua missão de fomentar a criação artística e abrigaria o Centro Cultural Nova Cadeia Velha.

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No entanto, a gestão do equipamento ainda gera dúvidas. No anúncio, foi determinado que as regras de convívio e uso da Cadeia Velha seriam estabelecidos por um conselho gestor composto por integrantes da sociedade civil, Estado e Prefeitura, com intuito de promover governança e gestão compartilhada. A liderança nesse processo seria exercida pela Secretaria de Cultura de Santos.

Questionada sobre o plano de gestão do equipamento, a Prefeitura de Santos informou que todas as demandas deveriam ser encaminhadas para a Secretaria de Estado.

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Já a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo disse por meio de nota que segue trabalhando para viabilizar a reabertura da Cadeia Velha de Santos no início de 2016 como espaço de apoio à produção artística. A Secretaria disse ainda que as providências para reabertura e composição do conselho estão em andamento e em breve novidades serão anunciadas. A nota ressaltou que fevereiro é o prazo para finalização da obra civil. Depois disso, será necessário ainda equipar o espaço.

Artistas cobram mais diálogo

As novidades que serão anunciadas em breve pela Secretaria da Cultura do Estado são motivos de preocupação para a classe artística de Santos. O Diário do Litoral conversou com representantes do segmento cultural, que cobraram mais diálogo do Governo em relação as políticas públicas que serão implementadas no equipamento.

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“A sociedade civil não sabe absolutamente nada do que está acontecendo. O governo cita sempre a palavra diálogo, mas nossos questionamentos não estão sendo ouvidos”, afirmou Junior Brassalotti, do Movimento Teatral da Baixada Santista (MTBS).

De acordo com Junior, há rumores que o equipamento se transformará no ‘Museu da Cidade’, com acervo contando a história de Santos desde a sua fundação, em 1545. “Escutamos esses boatos vindos de funcionários da própria Prefeitura. Novamente destacamos que não somos contra o museu, principalmente pelo conhecimento do caráter museológico preservado da Cadeia Velha. Mas queremos que o espaço abrigue também múltiplas linguagens artísticas, conforme foi constantemente dialogado durante o primeiro semestre do ano”, afirmou.

Para Caio Pacheco, a maior preocupação do setor é ser recepcionado com um “bolo pronto” às vésperas da reabertura do equipamento. “Tivemos duas audiências públicas para discutir a vocação da Cadeia. A necessidade do espaço ser multicultural foi inclusive uma demanda da classe. A partir disso fomos comunicados que o formato de montagem para construção deste espaço seria debatido, mas não foi o que aconteceu”.

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Platão Capurro, membro do Conselho Municipal de Cultura, afirma que nem mesmo nas reuniões do Concult o assunto é discutido. “Queremos saber o que está acontecendo, a que pé está a reforma, ter um calendário oficial de ações e qual será a programação de atividades”.

A Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo negou os rumores que a Cadeia Velha se transformará em um Museu e afirmou que a foco central do equipamento será “a ativação e mobilização da cena cultural da Baixada Santista”.

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