Jornalista transforma vida com lúpus em livro

Portadora de lúpus desde os 19 anos, já tinha vivenciado cinco crises, mas nenhuma delas havia deixado sua pressão 25 por 18 e nem dado quase 30 quilos a mais em três meses, por retenção de líquido.

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26 AGO 2019Por Thaís Moraes08h35
Jornalista escreve livro para enfrentar período na UTI, após descoberta de lúpus. 'O Lobo, o Urso e a Cura' foi lançado neste mês e pode ser encontrado pelo site www.ateliedepalavras.com.Foto: DIVULGAÇÃO

Quando a jornalista e escritora Beth Soares, hoje com 38 anos, foi para uma consulta de rotina para descobrir o que estava acontecendo com seu corpo naquele 23 de junho de 2015, não imaginava que flertava com a morte e só sairia da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) 21 dias depois.

Portadora de lúpus desde os 19 anos, já tinha vivenciado cinco crises, mas nenhuma delas havia deixado sua pressão 25 por 18 e nem dado quase 30 quilos a mais em três meses, por retenção de líquido.

O Lúpus Eritematoso Sistêmico é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, isto é, quando o sistema imunológico ataca tecidos saudáveis do próprio corpo. Não há cura e as causas não estão completamente esclarecidas, mas acredita-se que fatores genéticos, hormonais e ambientais estejam envolvidos no aparecimento da doença.

"O lúpus pode afetar qualquer órgão do organismo e produzir uma série de sintomas e manifestações clínicas, por isso é conhecido como a doença de mil faces. Mas o acometimento renal que a doença traz é muito conhecido e bastante comum nos portadores da enfermidade", explica o médico nefrologista Bruno Graçaplena Vieira, quem cuidou de Beth durante as três semanas de internação e a acompanha desde então.

E foram justamente os rins o Calcanhar de Aquiles da jornalista. No hospital, descobriu que havia perdido 50% da função deles. "O médico foi taxativo: não posso garantir que você sairá daqui", recorda a paciente.

Na UTI, em meio a medicamentos para diminuir a imunidade e impedir que o corpo continuasse atacando a si próprio, Beth, lúcida e angustiada com o que poderia acontecer, buscou um tratamento paralelo: a escrita. Foi no leito hospitalar que redigiu a primeira crônica.

Enquanto isso, seu companheiro, o também jornalista e escritor, Marcus Vinicius Batista, tentava administrar a impotência e o medo de perder a amada com a vida cotidiana, que não poderia parar. Para externar o sofrimento, utilizou o mesmo remédio: escrever.

Quatro anos depois, com dezenas de textos escritos sobre a fase difícil, o casal decidiu reunir 35 crônicas no livro 'O Lobo, o Urso e a Cura', primeiro que escrevem juntos. Em 216 páginas, o leitor encontrará textos em ordem cronológica, da pré-crise à remissão da doença, além de sentimentos como tristeza, raiva, indignação, alívio e felicidade.

"Não tínhamos a intenção de fazer algo com as crônicas, era apenas uma forma de colocar para fora o que estávamos sentindo. Gostaria que aqueles que possuem doenças incuráveis percebessem que há uma oportunidade de pelo menos conviver bem com o problema", resume Beth.

O nefrologista Bruno, que hoje tornou-se amigo, foi o convidado para o prefácio da obra. O livro 'O Lobo, o Urso e a Cura' foi lançado neste mês pela editora Ateliê de Palavras, e pode ser encontrado pelo site www.ateliedepalavras.com.