Guarujá poderá ter primeiro Museu do Candomblé do Estado

Iniciativa é da Coordenaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Racial que quer reunir acervo de Pai Bobó, que difundiu a religião africana na Cidade

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15 JAN 201322h19

O Ilê Oyá Mesan Orun, que, no idioma iorubá, quer dizer Casa de Iansã (orixá ou deusa africana), localizado em Vicente de Carvalho, poderá abrigar o primeiro museu do Candomblé do Estado de São Paulo, e o segundo do País. A iniciativa partiu da Coordenadoria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial (COEPPIR), que quer reunir o acervo de José Bispo dos Santos, conhecido como Pai Bobó de Iansã, que fundou a casa religiosa, em 1957, em Guarujá.

O ialorixá Pai Bobó faleceu em 1993, mas sua casa continua aberta e realizando as tradicionais festas dos orixás e as atividades ritualísticas da religião. É chamado ialorixá o sacerdote chefe de uma casa-de-santo de religião de matrizes africanas, no caso de Pai Bobó, do Candomblé.

No último dia 21 de outubro, a diretora do Grupo Técnico do Sistema Estadual de Museus, Cecília Machado, a coordenadora estadual de Políticas para Negros e Indígenas, Roseli de Oliveira, e a presidente do Conselho Estadual da Comunidade Negra, Elisa Lucas, realizaram uma visita técnica ao centro de pai Bobó, em Vicente de Carvalho, (Rua Argemiro Genuíno da Silva, 60, Pae Cará) para analisar o material relacionado ao Candomblé preservado no local.

Segundo o coordenador do COEPPIR, Roberto Luiz de Oliveira, o objetivo é preservar a religião e a cultura do povo africano e valorizar a auto-estima dos seguidores do Candomblé, vencendo também a discriminação que ainda existe.

Roberto disse que as representantes do Governo Estadual sinalizaram positivamente para a realização do museu, no entanto o primeiro passo é formatar o projeto em conjunto com os seguidores do Candomblé e freqüentadores da Casa de Pai Bobó. “É possível e o museu do Candomblé sairá do papel, com certeza. O ponta pé inicial já está sendo dado”, declarou Roberto.

No próximo dia 15, será realizada uma reunião na Casa de Pai Bobó, entre representantes do Candomblé do Município e da COEPPIR, para discutir de que forma o museu será organizado com os pertences do pai-de-santo.

O zelador da Casa de Pai Bobó, Luis Carlos da Costa, disse que a ideia inicial é organizar painéis contando a história de Pai Bobó e sua dedicação ao Candomblé, a história do centro desde a sua fundação, em 1957, sobre a religião, além de exposição das vestimentas usadas por Pai Bobó durante a realização dos cultos.

“É de grande importância a criação deste museu para a preservação da cultura e religiosidade que Pai Bobó trouxe para a Região décadas atrás. A cultura e a religiosidade afro é de grande importância para a nossa história”, afirmou o coordenador do Movimento Inter-religioso da Cidadania, José da Conceição Abreu.