Fortaleza da Barra: de defesa estratégica à ponto turístico

Com o passar dos séculos, o Forte sofreu algumas mudanças

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03 MAR 201300h42

Construída na Ilha de Santo Amaro — local estratégico do ponto de vista militar — a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande teve um importante papel na defesa da Baía de Santos, no combate a invasão de piratas, a partir do século 16. Também chamada de Fortaleza de São Miguel, foi construída em 1584, por ordem do rei da Espanha Felipe II.

Com o passar dos séculos, o Forte sofreu algumas mudanças. O antigo paiol, onde eram guardadas as munições — erguido no século 18 — deu lugar a capela de Santo Amaro que desde 1997 abriga a pintura de Manabu Mabi — um imigrantes japonês que chegou ao porto de Santos ainda criança com a família e se tornou um artista de renome no País. A obra mescla as culturas oriental e ocidental e foi uma homenagem de Manabu ao Brasil. 

Em 1932, durante a Revolução Constitucionalista, alojou a Terceira Companhia do Batalhão de Engenharia de Santos. Em 1969, a Fortaleza foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), porém, foi também nos anos 60 que iniciaram 26 anos de abandono.

A recuperação do Forte começou em 1993 quando foi assinado um protocolo de intenções entre o IPHAN, a Prefeitura de Guarujá e a Universidade Católica de Santos (Unisantos), passando a administração da Fortaleza à universidade.

Desde então projetos voltados ao turismo, à cultura, ao esporte e à educação são realizados na Fortaleza da Barra. A dependência usada como cadeia é hoje uma cozinha industrial montada para o curso gratuito de culinária voltado para a comunidade.

Visitantes podem apreciar no salão principal, uma exposição de fotos do Circuito Turístico dos Fortes da Região. São oito no total. Em outra sala, há uma variedade fotos da Fortaleza da Barra e o selo dos Correios, dos 500 anos do Brasil.

Segundo o coordenador de projetos especiais da Unisantos, o professor Elcio Rogério Secomandi, há um projeto para organizar um museu naval, no Forte. “Vou à São Paulo, conversar com o IPHAN afim de realizar esse museu como nos moldes dos que existem na Europa”, afirmou.

Mas as atrações não param por aí, só na Fortaleza da Barra para ser acompanhado por um guia que não só conta como também canta a história do monumento trajado com roupas características do século 18.

Ivan Di Ferraz é guia voluntário da Fortaleza da Barra há cinco anos. “Interessei-me pelo resgate histórico do Forte e envolvido nesse trabalho compus uma poesia que virou música e se tornou o hino da Fortaleza”, declarou Ivan, orgulhoso de sua contribuição para a revitalização desse patrimônio.

A visitação é gratuita e a Fortaleza da Barra é aberta de terça a domingo, das 8 às 17 horas. O acesso é por barco que sai da ponte Edgard Perdigão, na Ponta da Praia, em Santos ou pela praia de Santa Cruz dos Navegantes, em Guarujá. Visitas monitoras devem ser agendadas pelo telefone da universidade (013) 3228-1240, em horário comercial.