Filme resgata histórias e lendas santistas, dentre elas o 'vulcão' do Macuco e o fantasma do Paquetá

Você sabia que há uma pedra da feiticeira em Santos? Mas ela não está na Orla e sim aos pés do Monte Serrat. A cidade também já teve um ‘vulcão’ incrustado no Macuco e reza a lenda que um fantasma assombra as ruas do Paquetá.

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09 JUL 2018Por Rafaella Martinez12h35
O cineasta Dino Menezes e a contadora Camila ­Genaro.O cineasta Dino Menezes e a contadora Camila ­Genaro.Foto: Rodrigo Montaldi/DL

Você sabia que há uma pedra da feiticeira em Santos? Mas diferentemente do que muitos acreditam, ela não está na Orla e sim aos pés do Monte Serrat. A cidade também já teve um ‘vulcão’ incrustado no Macuco e reza a lenda que um fantasma assombra as ruas do Paquetá.

Essas e outras histórias, passadas de geração em geração, ganharão as telonas em breve com o filme ‘História Oral da Gente de Santos’, produzido pelo cineasta Dino Menezes e que tem como fio condutor o trabalho e a ­pesquisa da contadora Camila ­Genaro.

Contemplado pelo Fundo de Assistência à Cultura (Facult) o filme faz um paralelo entre as tradicionais lendas santistas e o relato de outros três contadores da cidade: o agitador cultural do Monte Serrat Arquimedes Machado; o artista multimídia Márcio Barreto, Ailton Guedes e Alexandre Camilo.

“Há anos já conto as Lendas Santistas e um dia o Dino assistiu ao espetáculo e me sugeriu a concepção de um filme mesclando as duas formas de contar histórias em uma só: a oral e a audiovisual”, conta Camila.
De acordo com Dino, a proposta do projeto é tecer uma rede de memórias, despertando essas histórias que se perderam no tempo por diversas razões e construindo uma identidade santista através de palavras e imagens.

“A tradicional fonte do Tororó da cantiga popular fica em Santos e muita gente nem sabe. Queremos eternizar uma história que tem a ver com a região, que tem a ver com pertencimento e o objetivo é fazer com que esse filme esteja nas escolas, nos centros ­culturais e também nos festivais externos para que essa riqueza seja conhecida e reconhecida”, ­destaca.

O filme está em fase de finalização e presta também uma homenagem aos 20 anos de carreira da santista Camila Genaro, presidente da Academia Brasileira dos Contadores de Histórias.

Para ela, a cidade é povoada de riquezas imateriais e valorizar esse potencial é zelar pela memória do povo. “Imagina quanta coisa já se perdeu. Somos o resultado de todos esses contos passados, cada um a sua maneira, e essa é a beleza do vídeo: contadores que trazem suas próprias vivências narrando essas histórias que são imortais”, finaliza.

A lenda da pedra da feiticeira, por Camila Genaro

Há muito tempo atrás, na época dos avós dos meus avós, quando a cidade de Santos era muito pequena, uma velha, muito velha desgrenhada e envergada, sempre vestida com uma bata de algodão e um chapéu de palha , vivia dentro de um buraco no pé do Monte Serrat. 

Todos a chamavam de bruxa e fugiam apavorados se cruzassem seu caminho.

Ela contava com a generosidade de Dona Angelina, que sempre levava um prato de comida e uma palavra de conforto.

Porém, ninguém se torna um arremedo de gente à toa. E essa história teve um começo que foi assim:
Uma viúva cedeu aos encantos de um soldado, mas ele só estava de passagem pela cidade. Ela não se conteve e foi atrás do seu amor, abandonando seus três filhos.

Os filhos cresceram e nunca mais tiveram notícias da mãe que sumiu no mundo. Mas nem por isso eles deixaram de serem pessoas do bem e muito ricos.

Seu Antoninho, sempre teve uma mão doadora. 

Um dia, Seu Antoninho ficou muito doente e dona Angelina sabendo do seu estado foi visitá-lo levando a velha que vivia no buraco.

Foi uma confusão. Todos na porta do seu Antoninho gritavam: "Bruxa!"

 "A feiticeira está lá dentro"
Mas para nossa surpresa dona Angelina disse:

"Seu Antoninho, sua mãe quer te ver"
Imagine a emoção...

Ela pediu perdão. Ele a reconheceu como a feiticeira da pedra que ele tanto ajudou com esmolas. Se abraçaram.

Ela ficou sabendo que seus outros filhos já tinham falecido. E dizem que até hoje no solstício conseguimos escutar o choro da feiticeira que abandonou seus filhos por causa de um amor não correspondido.