Espaço Tremendão apresenta obras de artista americana criada em Santos

Mostra "A Leveza do Ser" reúne 16 trabalhos de Jennifer Williams Wiegand. As telas podem ser visitadas entre 8 a 15 de fevereiro, com entrada gratuita

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28 JAN 201412h49

O Espaço Cultural Tremendão inicia o calendário de exposições em 2014 com a mostra inédita A Leveza do Ser, da artista americana criada em Santos, Jennifer Williams Wiegand, de 51 anos. Ao todo, 16 obras da Série Neon estarão disponíveis para visitação do público de 8 a 15 de fevereiro, com entrada gratuita, sempre de segunda a sexta-feira, das 10 às 19 horas e aos sábados, das 10 às 17 horas. A curadoria é de Célia Cristina Teixeira.

Os contrastes criados pela junção de cores quentes e frias em tinta neon, segundo Jennifer, refletem imagens e cores absorvidas durante uma vida dramática de constantes mudanças e evoluções. Aos 11 anos de idade, a artista teve seu primeiro grande trauma. Com apenas 37 anos, seu pai foi uma das vítimas no histórico incêndio do Edifício Joelma, na cidade de São Paulo, em 1 de fevereiro de 1974.

Apesar de toda dor originada na perda, foi na pintura que aprendeu a encontrar um pouco de conforto. "Meu pai era pintor de final de semana, aluno da Beatriz Rota Rossi (artista plástica e educadora na Universidade Santa Cecília). Assim que ele faleceu, minha mãe me deu seu cavalete e suas tintas a óleo. Foi assim que comecei a pintar".

Nascida em Nova York e atualmente vivendo nas Bahamas, Jennifer veio para o Brasil aos 9 meses de idade, quando seu pai foi transferido, devido ao trabalho. Durante os 35 anos vividos no país, foram sete mudanças entre Santos e São Paulo.

O Espaço Cultural Tremendão inicia o calendário de exposições em 2014 com a mostra inédita A Leveza do Ser, da artista americana criada em Santos, Jennifer William (Foto: Divulgação)

Embora tenha estado no litoral pela última vez em 2011, Jennifer diz ter um relacionamento muito especial com Santos. "Foi na orla da praia, com o cheiro do mar sempre presente, a vistas dos morros, as cores vibrantes da Mata Atlântica e os sons da Tropicália e da Bossa Nova que me criei", conta.

No lugar de pincéis, cartões de crédito

A maioria dos pintores enxergam os pincéis como extensão dos seus braços. Não é o caso de Jennifer, pois ela não gosta de trabalhar com o objeto. Para depositar nas telas sentimentos em forma de cores, a americana utiliza cartões de créditos velhos, ferramentas de carpintaria ou até mesmo as mãos. Ao produzir sua arte, chamada por ela de Non-Objective Abstract, Jennifer exterioriza seu âmago sem pensar. "Na verdade eu não penso quando produzo uma tela. Apenas sinto e observo a harmonia que as próprias cores criam. Permito que as tintas façam o trabalho", pontua.

As obras produzidas que ficarão expostas no Espaço Cultural Tremendão foram influências absorvidas de diversas formas. "Às vezes busco inspiração para as cores em meus trabalhos no mundo da moda. Ganhei interesse pelo neon quando ele foi exibido nas coleções de moda da primavera/verão de 2013 nos Estados Unidos e na Europa", relaciona Jennifer Wiegand.

Ação beneficente

Uma porcentagem das vendas das obras será destinada ao Projeto Menina-Mãe, do Departamento de Ações Comunitárias da APM Santos (Associação Paulista de Medicina de Santos). A instituição possui uma equipe multidisciplinar que procura aminizar os efeitos que uma gestão na adolescência pode provocar, seja no desenvolvimento emocional, físico ou social.

Além disso, Jennifer ministrará uma palestra para as meninas que participam da iniciativa, contando um pouco de sua experiência, pois também foi mãe cedo, aos 18 anos. A exposição também conta com o apoio cultural de Rosely Haddad e Oca Restaurante.

Sobre Jennifer Williams Wiegand

Jennifer Williams Wiegand, 51 anos, nasceu em Nova York, Estados Unidos. Aos 9 meses de idade mudou-se para o Brasil com seus pais. Aqui permaneceu por 35 anos  entre idas e vindas entre Santos e São Paulo. Em 1998 retornou aos Estados Unidos e atualmente mora nas Bahamas.

Começou a pintar após receber de presente da mãe os caveletes e as tintas a óleo que o pai utilizava. Jennifer imprime em suas criações todos os dramas vividos no passado e as alegrias conquistadas após muitos anos de luto. A Leveza do Ser reflete uma busca incessante por paz de espírito e seu encontro depois de muito tempo.