Diretora Adelia Sampaio será homenageada em edição online do Santos Film Fest

Edição especial online do Festival Internacional de Cinema de Santos celebra carreira da primeira cineasta negra do Brasil, terá sessenta filmes e vinte atividades entre palestras, workshops e bate-papos, de 16 a 23 de março.

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24 FEV 2021Por Da Reportagem22h40
Adelia Sampaio foi a primeira jornalista negra do BrasilAdelia Sampaio foi a primeira jornalista negra do BrasilFoto: Divulgação

Mineira de Belo Horizonte e nascida em 1944, Adelia Sampaio certamente é figura seminal do cinema brasileiro. É uma apaixonada e capaz de nos despertar paixões: primeira cineasta negra do país, rompeu barreira graças ao talento, caráter, perseverança e seu olhar social e transgressor. Tudo isso num país machista e racista e, mais ainda: tomou suas atitudes durante os anos de chumbo da Ditadura Militar. A diretora será a homenageada do Santos Film Fest – Festival Internacional de Cinema de Santos – edição especial online, que acontece totalmente gratuito de 16 a 23 de março.           

A cineasta participará de uma live especial na abertura do evento, dia 16 de março, terça-feira, às 19h30, nas redes sociais do festival e no Youtube do Sesc Santos. Na ocasião, será exibido um vídeo retrospectiva de sua carreira e ela será entrevistada pela diretora do SFF, Paula Azenha, e pela jovem diretora santista Vitória Felipe. O bate-papo terá uma hora e meia de duração.

Também será disponibilizado um e-book gratuito intitulado Adelia Sampaio: O Segredo da Rosa - o título do longa-metragem dirigido por Vanja Orico em 1974, cujo roteiro e a direção de produção levam a assinatura de Adélia  Na publicação  a diretora relembra, em primeira pessoa, sua trajetória de vida e carreira.

Com 120 páginas e formato pocket (10 cm de largura por 15 cm de altura), o livro integra a Coleção Santos Film Fest (do selo CineZen Edições Literárias), que já lançou em edições anteriores os livros gratuitos Rubens Ewald Filho: Vida de Cinema (2018) e Grandes Interpretações do Cinema Brasileiro (2019), coletânea de textos de Waldemar Lopes, que retornam atualizados e disponibilizados gratuitamente. Os dois primeiros também ganharão tiragem impressa limitada para distribuição.

Ainda na homenagem à Adelia, o Santos Film fest exibirá dois de seus mais importantes filmes: o curta Denúncia Vazia (1979) onde mirou o abandono na terceira idade e o longa Amor Maldito (1984) que expõe os preconceitos da sociedade e do sistema judiciário, ao mostrar o amor entre duas mulheres.

Adelia não apenas sobreviveu como abriu caminhos, apontou direções, influenciou pessoas que enxergaram, nela, um espelho, uma representação. Como diretora, colocou os dedos nas feridas de uma sociedade desigual tal qual a nossa.

Foi casada com o jornalista Pedro Porfírio (1943-2018), perseguido e preso pela Ditadura. Ao lado dele, teve Vladimir e Geórgia – ele, seguiu a profissão do pai, ela se enveredou pelo meio artístico como a mãe. A cineasta passou pela perda de seu primeiro filho, ainda durante a gestação, após uma abordagem policial violenta durante uma manifestação na Cinelândia, aos 18 anos.

Firmou uma profícua parceria com a irmã, Eliana Cobbett, primeira produtora-executiva relevante no Brasil, responsável pelas produtoras Tabajara Filmes e Difilmes, que distribuiu, administrou, e captou recursos para filmes de Glauber Rocha, Luiz Carlos Barreto, Cacá Diegues, Júlio Bressane e Arnaldo Jabor, entre outros.

"Essa não é a primeira homenagem a Adélia Sampaio. Esperamos não ser a última. Sua obra tem gerado, inclusive, produções acadêmicas.  Quem faz, transforma e melhora o meio onde vivemos merece sempre ser lembrada, valorizada e prestigiada. Viva Adelia Sampaio!", celebra o diretor do SFF, André Azenha.

 

MOSTRAS COMPETITIVAS

Ao todo serão exibidos 60 filmes dirigidos ou produzidos por mulheres e divididos nas mostras: Longa-metragem estrangeiro; curta-metragem estrangeiro; longa-metragem nacional; curta-metragem nacional; curta-metragem Baixada Santista; Mostra Humanidades. Todas as categorias receberão os prêmios de melhor filme do júri e do voto popular e de melhor direção pelo júri. O troféu é batizado Toninho Campos, diretor do Cine Roxy, tradicional cinema de rua santista inaugurado em 15 de março de 1934 e fundamental no apoio aos festivais e produção local, além de ser palco de centenas de premières brasileiras com presenças de artistas. Os filmes selecionados serão anunciados no começo de março.

           

O júri desta edição é formado pelos seguintes profissionais:

- Mostras Estrangeira e Humanidades: Andrea Pasquini (cineasta), Jamer Guterres de Mello (Professor Doutor do PPGCOM Anhembi Morumbi), e Nágila Guimarães (Cofundadora da WIFT Brasil – Women in Film and Television).

- Nacional Julia Katharine (cineasta, atriz), Maristela Bizarro (Mestre em Comunicação e Cofundadora da WIFT Brasil – Women in Film and Television), Rogério Ferraraz (Professor Doutor do PPGCOM Anhembi Morumbi) e Liz Reis (produtora e atriz).

Regional: Kamilli Semenov (cineasta), Tamirys Ohanna (atriz), Wanderley Camargo (Professor e coordenador dos cursos de cinema e Publicidade da Unisantos), Eduardo Rubi Cavalcanti (Jornalista e professor universitário).