“As coisas de Santos estão ligadas a progresso, sucesso e luta”

O prefeito de Santos, João Paulo Papa fala do passado, presente e futuro da Cidade

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15 FEV 201323h54

DL - Santos completa 462 anos de fundação neste dia 26 de janeiro. Qual a sua avaliação desta cidade, considerando sua história e seu desenvolvimento econômico a partir da atividade portuária?
Papa – Santos é referência por ser o maior porto do país, o porto mais importante desde o descobrimento. Por ser a cidade do Santos Futebol Clube, por ter tido aquela geração do Pelé. Santos também tem um papel importantíssimo na história brasileira. A independência dependeu do santista José Bonifácio. Toda a relação da família real com a região. Não é à toa na Até na música `As curvas da Estrada de Santos’, do Roberto Carlos, Santos é referência. (risos) E todos os imigrantes chegaram ao Brasil, pelo porto de Santos. Hoje o Brasil se comunica com o mundo todo através de Santos. Tudo começou com a cidade de Santos. A região de Santos cresceu e hoje tem nove municípios. A gente tem várias razões para estimular essa referência. As coisas de Santos estão ligadas a progresso, sucesso, luta e tenacidade.

DL - Qual o acontecimento que o senhor considera mais importante na história da Cidade?
Papa – O marco que transformou Santos naquilo que ela é hoje. A força, a eficácia e a determinação com que Saturnino de Brito desenhou essa cidade que nós temos. Os canais que cortam a cidade do porto até a praia. Todo o resto são benefícios e conseqüências desse projeto de Saturnino de Brito.

DL – Quais as personalidades santistas ou que contribuíram para a história da Cidade que o senhor destaca?
Papa
– José Bonifácio, Saturnino de Brito e Mário Covas são muito grandiosos. Eles romperam barreiras e se tornaram figuras nacionais e internacionais.

DL - O senhor trouxe de volta o desfile das escolas de samba, resgatando uma tradição popular de Santos. O senhor pretende construir um sambódromo? Onde seria? O Estradão seria o local ideal, onde atualmente acontece o desfile?
Papa
– O primeiro passo foi dado. Ressuscitar o Carnaval antes que fosse tarde demais. Eu considero o Carnaval uma das expressões culturais mais importantes do país, em todas as suas modalidade, única, brasileira. As escolas são tradicionalíssimas. Acho que nesse terceiro ano, vamos respirar e dizer: bom, missão cumprida. O Carnaval está de pé novamente. O primeiro ano foi muito difícil, o segundo também não foi fácil, mas acho que esse ano, vamos ter o sentimento do dever cumprido. O próximo passo é esse que você colocou (sambódromo). Se nós não tivermos a possibilidade por falta de recursos para termos uma estrutura permanente para o Carnaval como é o desejável, como é o sambódromo do Rio, de São Paulo e Parintins, se não encontrarmos espaço para termos aquilo que considero adequado: uma estrutura que possa ser utilizada no Carnaval e no resto do ano, para atividades culturais e comunitárias, ainda assim nós temos a obrigação de encontrar um local definitivo para o Carnaval. Um lugar onde não haja contestação. Penso que esse espaço tenha que ser na Zona Noroeste, pela configuração física da Zona Noroeste. Penso naquela própria via (Rua Afonso Schmidt) que abrimos para o desfile.  
   
DL - Quando as obras de ampliação da linha do Bonde Turístico serão retomadas?
Papa
– As obras serão retomadas após o término da licitação. (A empresa vencedora é a Termag Terraplanagem que será homologada nos próximos dias e as obras começam depois do Carnaval, conforme informou a Prefeitura). O percurso será ampliado de 1,7 metros para 5,3 metros. A linha turística vai passar por todos os pontos importantes do Centro da Cidade. O contrato deve ser assinado já na próxima semana e serão oito meses de obras. Vamos trabalhar para que no próximo Verão, o bonde já esteja funcionando nessa nova linha.  

DL - Houve investimentos na Saúde e na Segurança Pública que são ganhos para o município pólo da Região Metropolitana. O que ainda falta ser feito nessas áreas?
Papa
– Esse ano é o ano de construir a maternidade. O Complexo Materno Infantil da Vila Mathias, além do Centro de Excelência em Educação. Também lancei um pacote muito importante na Segurança Pública. Estamos tratando de transformar a Guarda Municipal de patrimonial para comunitária. Estou contratando porteiros para as escolas porque eu não quero mais guarda municipal trabalhando como porteiro. A função do porteiro deve ser exercida por um profissional capacitado. Para essa transformação estamos investindo na compra de viaturas, uniformes, coletes a prova de balas e treinamento. Contratamos a Unisantos para treinar os 450 guardas. Hoje comuniquei a eles um seguro de vida para todos eles. A partir de agora eles também terão uma credencial que permitirá que eles se desloquem nos ônibus sem uniforme, de casa para o trabalho e vice-versa. Um guarda uniformizado é um alvo fácil dentro do ônibus. O seguro de vida custará em torno de R$ 70 mil por ano. E, em breve, a sede da Guarda Municipal vai sair do Centro para o prédio da CET, na Vila Mathias.  
   
DL - Santos, assim como as outras cidades de Baixada, recebe um grande volume de turistas na temporada de férias. E no Verão moradores e visitantes enfrentam congestionamentos no Sistema Anchieta Imigrantes. Houve algum avanço na discussão desse tema juntos a outros prefeitos e com o Governo do Estado?
Papa
– Evidentemente temos gargalos que ainda não foram resolvidos. Há uma série de adequações do viário regional que ainda estão pendentes. Agora, é preciso ter os pés no chão com relação ao pico no sistema uma vez por ano. Essa hipótese de ter um sistema pronto para atender essa demanda não existe. É claro que existem congestionamentos, uma grande comoção, mas não existe sistema viário nenhum que foi projetado para o pico. Nós temos obras importantes para fazer. Os prefeitos de São Vicente e Praia Grande junto com o governador estão trabalhando para encontrar uma solução na área urbana de São Vicente. Uma pista São Paulo-Baixada para quando todo mundo resolver vir para cá, é economicamente inviável. A forma como toda essa demanda se desloca em relação a Baixada e no retorno precisa ser repensada.

DL - Ainda falando em transporte, quais os ganhos que o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) poderá trazer para a Cidade?
Papa
– A oportunidade está aí. A faixa ferroviária está aí e será desativada agora no início de 2008. E estamos construindo junto com o Governo de São Paulo um modelo de concessão que poderá ser colocado em prática ligando São Vicente a Santos pelo sistema de VLT. É um sistema urbano, não poluente, eficiente, de deslocamento entre São Vicente e Santos num primeiro momento, mas que no futuro pode ser ampliado para o litoral sul. É absolutamente previsível a saturação da malha viária. Então, num futuro próximo teremos que obrigatoriamente optar por um transporte público senão teremos cidades saturadas com trânsito parado, o que torna uma cidade ambientalmente e economicamente insustentável. Então o VLT virá, mas isso vai depender muito das iniciativas dos prefeitos e do Governo. Este ano será um ano importante para o VLT e já é uma prioridade.