“A doutrina espírita mudou completamente a minha vida”

Em entrevista exclusiva, Baccelli fala de sua missão e da convivência com Chico Xavier

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24 FEV 201321h33

Carlos Antônio Baccelli, 55 anos, é cirurgião-dentista e médium espírita. Nascido e educado em uma família católica, Baccelli se interessou pela doutrina espírita aos 17 anos de idade. Nessa época, quando questionava as razões de sua própria existência e os mistérios do Universo, Baccelli foi a uma casa espírita a convite de um amigo, onde despertou para o espiritismo e se tornou um estudioso da doutrina — codificada por Allan Kardec —, que viria a traçar, em definitivo, os planos de sua vida.

Baccelli, então, começou a freqüentar a mocidade da Casa Espírita Bittencourt Sampaio, em Uberaba, Minas Gerais. Da década de 1980 para cá já publicou 105 livros mediúnicos, sendo 15 biografias de Francisco Cândido Xavier, com quem conviveu durante 25 anos. Ao longo desse período, Bacceli também tem realizado palestras pelo Brasil.
   
DL – Quando o senhor optou pela doutrina espírita?
Carlos Baccelli
– Aos 18 anos comecei a fazer aqueles questionamentos que todas as pessoas fazem.  O que estou fazendo na Terra? Qual a finalidade da vida? De onde viemos? Para onde vamos? Por que sofremos? E fui encontrar resposta na doutrina espírita através de um amigo que me convidou a participar de um centro espírita. Comecei a ler, a estudar as obras básicas, as obras de Allan Kardec, León Denis, Chico Xavier. Tudo coincidiu com a participação de Chico Xavier, na extinta Rede Tupi. A figura daquele homem me impressionou muito. A bondade dele. Aquilo tudo me envolveu de tal forma que me tornei um estudioso da doutrina espírita antes de me fazer médium.

DL – Quando foi sua primeira experiência com a psicografia?    
Bacelli
– Na época eu estava cursando odontologia e me vinham aqueles pensamentos, poemas maravilhosos, versos...e eu nunca fui capaz de escrever sequer uma trova por mim mesmo. Foi quando eu adquiri o hábito de andar com papel e caneta no bolso porque eu parava na rua e anotava a idéia do poema. Na casa espírita recebi as orientações sobre a mediunidade e lá mesmo comecei a exercitar a psicografia. Comecei fazer palestras, a distribuição das sopas, a freqüentar hospital e evangelizar as crianças. 

DL – Quando o senhor psicografou a primeira mensagem de irmão José que é o seu orientador espiritual?
Baccelli
– A primeira mensagem de irmão José que psicografei foi em minha própria casa. Esse espírito amigo que nos acompanha e se faz orientador espiritual de nossas atividades mediúnicas.

DL – Quando o senhor soube da existência de irmão José?
Baccelli
– A identidade de irmão José me foi revelada por Chico Xavier  no Grupo da Prece onde eu comecei a psicografar, ao lado do Chico. Chico me disse que já tinha ouvido aquela voz antes, através da médium Maria Modesto Cravo. Segundo Chico nos disse à época, eu estava sendo apresentado ao irmão José, embora nosso relacionamento espiritual com ele seja bastante antigo, de outras encarnações. O primeiro livro em parceria mediúnica com o irmão José se chama ‘Fé’. Isso foi na década de 1980.

Dl – Baccelli, apesar de cirurgião-dentista, o senhor também atuou como jornalista?
Baccelli
– Fiz programas no rádio e na TV local de Uberava e escrevia para os jornais Lavoura e Comércio, Jornal da Manhã, Flama Espírita e comecei a documentar a vida de Chico Xavier. Eu tenho 15 livros que biografam a vida de Chico. Os fenômenos que eu presenciava, as lições, o que acontecia nas reuniões.

DL – Como era a convivência com Chico Xavier?
Baccelli
– Convivi com ele durante 25 anos. Ele era um espírito bem-aventurado na Terra, uma aparição, um anjo tangibilizado. Uma pessoa diferente porque era extremamente bom. Convivi com o Chico no Centro e na casa dele. Eu e minha esposa Márcia.

DL – O que você aprendeu com Chico Xavier?
Bacelli
– A doutrina espírita mudou completamente a minha vida e Chico Xavier me ensinou a colocá-la em prática. Não apenas no terreno da prática mediúnica, mas a vivenciar a doutrina no cotidiano, a tratar bem as pessoas, a compreender, a perdoar, a não ter orgulho. Ele vivia aquilo que pregava. Ele visitava os presos, os doentes, ia à periferia. Chico Xavier enterrava os indigentes em Uberaba. Ajudava famílias carentes no enterro de seus entes, com a colaboração de amigos.

DL – O que o senhor aborda nas palestras que ministra pelo Brasil a fora?
Baccelli
– Falamos basicamente sobre Jesus, Chico Xavier e Allan Kardec, que para nós são os alicerces da doutrina espírita. Então falamos sobre mediunidade, lei de causa e efeito, perdão, reencarnação, lições que Jesus nos transmite no Evangelho. Já fomos convidados para realizar palestras nos mais diversos estados da Federação. Além disso temos as atividades em Uberaba que também são intensas na Casa Espírita Bittencourt Sampaio, Casa do Caminho, Lar Espírita Pedro e Paulo, Grupo Espírita Irmão José e Pão Nosso.

DL – Qual o título de seu livro que está sendo lançado?
Baccelli
– Este 105º livro chama-se ‘Hospital dos Médiuns’, psicografado em parceria com a irmã Maria Rodrigues Salvador, a irmã Domingas, que era uma espírita atuante. O livro retrata onde são tratados os médiuns espíritas ou não.

DL – Todas as pessoas são médiuns?
Baccelli
– Para nós todos são médiuns. Todos tem percepções psíquicas. A mediunidade está na Igreja — os santos católicos são médiuns. Reconhecemos a presença da mediunidade na Umbanda, no Budismo.    

DL – A doutrina espírita ainda hoje é discriminada. O que o senhor pensa sobre isso?
Baccelli
– Há pessoas que não conhecem o que é espiritismo e não existe ignorância maior do que falar sobre algo que não se conhece. Tem pessoas que confundem a doutrina com outras seitas que não exercem a mediunidade espírita, mas o mediunismo.

DL – Qual a diferença entre a mediunidade e o mediunismo?
Baccelli
– Na doutrina espírita praticamos a mediunidade. Já o mediunismo é a mediunidade sem Jesus, sem disciplina, repleta de fanatismo, ligado ao miraculoso, ao imediatismo das pessoas. O mediunismo é o uso da mediunidade para comércio, de má fé, não atendendo a recomendação de Jesus: dai de graça porque de graça recebeste, assim como Chico Xavier nos ensinou a apostolar durante 75 anos. Chico Xavier nasceu pobre, viveu pobre e desencarnou pobre, mas era espiritualmente rico.