A celebração da liberdade na Páscoa Judaica

O presidente do Centro Cultural Israelita Brasileiro, Mauro Ostronoff, explica que a celebração é pela libertação dos judeus do Egito

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23 JAN 201320h00

Ao menos 200 famílias que moram na Região Metropolitana da Baixada Santista estarão celebrando a Pessach, a Páscoa Judaica, na mesma semana em que as famílias católicas celebram a Páscoa cristã. Mas, as semelhanças entre uma celebração e a outra param por aí.

A semana da Páscoa judaica é definida com orientação no calendário lunar, seguido pelos judeus. Já a semana da Páscoa cristã é definida conforme o calendário solar ou gregoriano adotado pela Igreja Católica Apostólica Romana. Devido a uma defasagem nos dias dos meses do calendário lunar em relação ao calendário gregoriano, as duas celebrações geralmente caem em datas diferentes.

O presidente do Centro Cultural Israelita Brasileiro, Mauro Ostronoff, explica que a Páscoa Judaica comemora a libertação dos judeus do Egito por Moisés, há cerca de três mil anos. A Pessach — passagem em hebraico —, se refere a passagem do povo judeu conduzido por Moisés pelo Mar Vermelho, que se abriu, mas fechou sobre o exército egípcio do Faraó, para impedi-los de alcançar o povo liberto. Os judeus eram escravos do Faraó.

DL - Qual a diferença entre o calendário lunar e o calendário solar ou gregoriano?
Mauro Ostronoff – O calendário lunar conta 12 lunações, com 28 e 29 dias cada uma, diferente do calendário solar, com 30 e 31 dias por mês. A cada três anos, conta-se um mês ou lunação a mais, por isso, coincidiu as datas das celebrações da Páscoa judaica e cristã.

DL – Quando será celebrada a Páscoa Judaica?
Mauro Ostronoff – A semana da Pessach inicia ao pôr-do-sol do dia 7 de abril e termina ao pôr-do-sol do dia 16 de abril. Conforme o calendário lunar, a Páscoa Judaica pode ocorrer no período entre o final de março e o final de abril. Já a Páscoa cristã celebra a sexta-feira da Paixão no dia 10 de abril e a Páscoa, no domingo dia 12.

DL – Além da liberdade de seu povo, o que mais é celebrado na Pessach?
Mauro Ostronoff – É celebrada a libertação do povo judeu e toda a sua história.

DL – Quais são os rituais da Pessach?
Mauro Ostronoff – A Pessach é uma festa tipicamente doméstica, realizada dentro de casa pelas famílias, e não na Sinagoga. São jantares chamados de Seder.

DL – Esses jantares são realizados durante toda a semana da Páscoa?
Mauro Ostronoff – Os jantares são feitos nos primeiros dias, já nos dias subseqüentes são realizados os jantares comunitários. Em Santos, o seder comunitário será realizado no dia 15, no Centro Cultural Israelita Brasileiro (Av. Ana Costa, 254).

DL – A comida servida no seder está diretamente relacionada a história da escravidão dos judeus no Egito. Quais os alimentos usados como símbolos que compõem a ceia judaica?
Mauro Ostronoff – Pão Ázimo (não fermentado), vinho, verduras amargas, bolinho de peixe, raiz forte, batata mergulhada na salmora, ovo cozido na salmora e uma massa feita de nozes, maça ralada e vinho sacramental). O pão ázimo, sem fermento remonta a época quando os judeus foram obrigados sair do Egito às pressas pelo Faraó e tiveram que fazer o alimento sem fermento. A batata representa o suor dos trabalhos forçados da escravidão, o ovo é a continuidade da vida, e a massa representa a argamassa usada na fabricação de tijolos e na construção das casas, durante o trabalho escravo dos judeus. As verduras amargas e a raiz forte representam o sofrimento do povo judeu durante a escravidão.

DL – O que é vinho sacramental?
Mauro Ostronoff – O vinho sacramental usado nos jantares são chamados kasher ou kosher porque todo o processo de fabricação é acompanhado por um rabino, desde a plantação das uvas, a colheita, até a fabricação da bebida e embalagem para evitar impurezas.

DL – Os católicos celebram na Páscoa, a paixão e a ressurreição de Jesus Cristo, o filho de Deus. Jesus também era judeu. Como Jesus é visto na religião judaica, já que não é considerado o Messias, o filho de Deus?
Mauro Ostronoff – Não aceitamos Jesus como o Messias, ainda aguardamos a chegada do Messias. No judaísmo não há intermediário entre Deus e o fiel. O rabino não é considerado um intermediário, mas um estudioso do livro sagrado do judaísmo, a Torá.Para nós, Jesus foi um rabino, mas sem atributos de messias. 

DL - Há outras semelhanças entre o cristianismo e judaísmo?
Mauro Ostronoff – A Tora possui cinco capítulos que também constam na Bíblia dos católicos como Pentatêuco, no Velho Testamento. Na Torá, o primeiro capítulo é o Gênesis que conta a origem dos judeus até a escravidão no Egito. O segundo capítulo é o Êxodos, que fala da libertação do povo judeu do Egito e a peregrinação de 40 anos até a Terra Prometida. O terceiro livro é o Levítico, que trata de toda a comunicação entre Deus e os judeus, os dez mandamentos, e a organização da religião judaica. O quarto livro, Números, é um tratado de Estatísticas do povo judeu. O quinto Deuteronômio é um resumo dos capítulos anteriores e a preparação para a entrada dos judeus na Terra Prometida. Moisés conduziu seu povo, mas não entrou na Terra Prometida. E o fim de Moisés e controverso. Alguns dizem que sua sepultura nunca foi achada. Outros dizem que ele ascendeu aos céus por conta do cumprimento de sua missão.

DL – Qual a origem do judaísmo?
Mauro Ostronoff – Jacó, filho de Isaac, foi quem estruturou e organizou a religião judaica. Um anjo mudou o nome de Jacó para Israel.Por isso, todos os judeus são chamados de israelistas e o Estado de Israel recebeu este nome, onde residem os descendentes de Israel ou Jacó.