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Cubatão

Menina com câncer terminal faz vaquinha para comprar remédio paliativo

Aos 5 anos, a pequena Sarah Torres foi desenganada pelos médicos e precisa de um medicamento importado para ter qualidade de vida

Luana Fernandes

Publicado em 01/04/2024 às 20:46

Atualizado em 01/04/2024 às 21:03

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Sarah Torres tem 5 anos e luta contra um câncer terminal desde 1 ano de idade / Reprodução/Arquivo Pessoal

Dos 5 anos que a pequena Sarah Torres tem, pelo menos 3 foram de batalhas: a menina tem um câncer terminal, diagnosticado antes dos 2 anos de idade, e foi desenganada pelos médicos, que esgotaram os tratamentos possíveis para o seu caso. A criança, que é moradora de Cubatão, passou por tudo o que podia e, hoje, se encontra em acompanhamento paliativo.

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Mas a mãe Denise Serafim Torres não desiste. Em busca de uma cura ou um milagre, a auxiliar de limpeza encontrou um remédio que ajuda a ter esperanças, contudo, precisa de ajuda. “Há três anos a gente descobriu o câncer da Sarah através de uma queda. Ela foi internada, fez biópsia e o resultado constatou que era um câncer maligno no abdômen, na coluna e na medula. Ali ela já iniciou o primeiro ciclo de quimioterapia e ficou quase 40 dias internada entre UTI e quarto”, explicou.

Foram muitos tratamentos: 10 ciclos de quimioterapia, 17 sessões de radioterapia e uma tentativa de transplante de medula que não deu certo porque o tumor não parava de crescer. “Ela fez uma ressonância para iniciar o transplante de medula que mostrou que o tumor tinha diminuído um pouco. Só que no dia de internar, ela fez outra ressonância que mostrou que o tumor tinha aumentado 42%”, conta a mãe.

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A equipe médica ainda tentou com mais sessões de quimioterapia. Foram dois anos tentando todo tipo de tratamento até que os médicos decidiram que Sarah deveria descansar. “A gente já tentou de tudo, ela já fez rádio, já fez cirurgia e nada foi resolvido. O tumor só cresce. Então a gente decidiu parar o tratamento. A gente sabe que você já fez o que podia e o que não podia. A gente tem plena certeza de que você faria muito mais, mas agora a gente vai deixar ela descansar e aproveitar a vida. Deixar ela viver até o dia que Deus quiser”, foi o que os médicos disseram a Denise, que é moradora do Jardim Real, conhecido também como Bolsão 9.

Com as tentativas de tratamento médico esgotadas, Denise depositou fé em medidas alternativas de tratamento. “Eu fui conhecendo outras histórias e nunca desisti. Aí fazia de tudo… Dava chá, ia à igreja, fazia promessa, remédio pra cá, chá pra lá. Até que eu conheci um cirurgião lá de São Paulo, próximo da família, que contou sobre a fosfoetanolamina. É uma pílula manipulada que tenta distribuir células saudáveis para a criança que tem câncer”, comenta. 

A pílula de fosfoetanolamina é uma substância química que funciona como uma vitamina. Ela não possui autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável pela liberação da utilização e da comercialização de medicamentos no país. E o que não é liberado no País, virou primordial para a qualidade de vida de Sarah, há cerca de um ano. A diferença é visível aos olhos.

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Há um ano, Sarah ainda não tinha cabelos e tinha a pele bem pálida. Com o tratamento paliativo, começou a ter mais qualidade de vida. Após cinco meses, a cor já tinha voltado ao rosto da pequena. Os cabelos ainda cresciam timidamente. Mas, há algumas semanas, além de conseguir ir à escola, Sarah tem belos cachinhos e um rosto de criança aparentemente saudável. Mas tudo isso se transforma quando Sarah fica sem o remédio. Confira na montagem feita pela reportagem do Diário do Litoral:

Da esquerda para direita: Sarah há 1 ano atrás iniciando tratamento paliativo com fosfoetanolamina; no centro, tomando o medicamento por 5 meses; a terceira foto foi tirada há uma semana

“A gente só paga para ele o valor de trazer de fora, porque ele vai para os Estados Unidos. Ele compra lá e traz, porque a filha dele ainda toma. Ela já é adulta, já é casada, mas ainda toma. Ela também foi desenganada pelos médicos”, conta a mãe, que ainda conta que Sarah fica bem debilitada sem o medicamento. “Ela fica pálida, ela fica sem comer, ela fica fraquinha e assim, por experiência própria, eu estou vendo que está sendo bom para minha filha”, acredita.

A cura não é prometida pelo remédio, mas só de saber que a filha fica muito melhor quando toma a famosa fosfoetanolamina, Denise não pensa em desistir. O problema é o custo de tudo isso. Além de nem sempre o amigo cirurgião conseguir trazer remédio suficiente, por conta do limite de exportação, a mãe precisa de quase R$ 4 mil para comprar o remédio e mais outros suplementos que ajudam no tratamento.

Mesmo empregada como auxiliar de limpeza em uma empresa do Porto de Santos, a moradora de Cubatão não consegue dar conta de todas as despesas e medicamentos para a filha. Ela não vive com o pai da criança para dividir despesas, paga aluguel e vive endividada por conta do alto custo da pílula.

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“Só há dois meses consegui pagar por um plano de saúde para ela, porque ela precisa de atendimento rápido. É difícil, a Sarah tá ficando sem o remédio, eu tenho dois meses que eu tô sem comprar porque tinha comprado três meses atrás. Compramos para durar três meses. Foi quase R$ 6 mil de remédio e já acabou”, conta. 

Com a falta do medicamento, Sarah sofre com as idas ao hospital mais frequentes e as dores pelo corpo mais intensas. Denise já tentou empréstimo e vaquinha online, mas não consegue atingir o valor necessário. “Sabe, se eu precisar continuar pedindo emprestado ou me afundar em dívidas, vou fazer. Não vou desistir”, afirma.

Neste caso, o Poder Público não pode ajudar, já que se trata de um remédio sem autorização para comercialização no País. “Há depoimentos reais que comprovam que o remédio funciona, mas não sei porque não é liberado aqui”, lamenta.

Para ajudar a pequena Sarah a ter um tratamento paliativo sem dores e com mais esperança, a mãe criou uma vaquinha para quem desejar fazer uma doação em dinheiro. A doação pode ser feita diretamente pela chave Pix [email protected] ou acessando o site da Vakinha.
 

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