Jovem de Cubatão recebe prêmio internacional de empreendedorismo

Equipamento detecta câncer no cérebro com ondas eletromagnéticas

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13 SET 2019Por Da Reportagem13h15
O estudante Vitor Hugo ArrudaFoto: Marcus Cabaleiro

Nascido no humilde núcleo da Cota 200, encravado na escarpa da Serra do Mar, 18 anos atrás, Vitor Hugo Xavier dos Santos Arruda passou por quatro escolas públicas. Na última, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), Campus Cubatão, conheceu um professor que não apenas acreditou em seu potencial, mas também o incentivou a ir além dos limites da cidade. E ele foi longe. Até Nova York, nos Estados Unidos. Lá apresentou sua fértil criatividade concretizada em uma inovadora máquina capaz de detectar câncer cerebral utilizando ondas eletromagnéticas.

No retorno da competição de empreendedorismo TrepCamp, desembarcou no aeroporto de Guarulhos com uma bagagem desejada mas inesperada: dentre os 500 participantes da América Latina e convidados de outros continentes, Vitor Hugo conquistou nada menos que quatro prêmios: Jovem Inovador, Melhor Participante, Melhor Projeto e Melhor Equipe.

O resultado excepcional já garantiu pelo menos mais um carimbo em seu passaporte. Isso porque no final de outubro próximo ele embarca para Los Angeles, na costa oeste americana, para apresentar o seu projeto no TrepCamp Global Demo Day, que reunirá em vencedores de cada região do mundo.

Trajetória – Vitor Hugo cursou o Ensino Fundamental na Escola Estadual Maria Helena Duarte Caetano, na Cota 200; na Escola Municipal Saulo Tarso Marques de Mello, no Parque Continental, em São Vicente; e na Escola Estadual Marechal Castelo Branco, no Jardim Casqueiro. Já o Ensino Médio será concluído este ano, no Instituto Federal, onde cursa Técnico em Informática.

"Entendia que por estar no Ensino Médio não conseguiria descobrir a cura para o câncer. Mas podia fazer alguma coisa", disse, ao comentar que a partir da orientação do professor Ph.D. Alexandre Maniçoba de Oliveira desenvolveu o projeto para a detecção de células cancerígenas no cérebro. "Resumidamente, o aparelho lança ondas eletromagnéticas para a detecção de diferentes densidades de massa no cérebro", explicou.

Para destacar a importância do invento, que já conta com registro de propriedade intelectual, um aparelho de ressonância magnética exige atualmente o investimento de R$ 720 mil a R$ 1,2 milhão. Já o aparelho criado por Vitor Hugo pode ser produzido por R$ 6 mil. "Seria uma espécie de pré-exame, com o resultado em cerca de um minuto. Caso sejam detectados indícios de câncer, o paciente seguiria para exames complementares". Atualmente o método inovador está em fase de testes em animais.

Para apresentar seu projeto em Nova York, Vitor Hugo disse que concorreu com 30 mil inscritos. No processo de seleção que definiu os 500 participantes, os analistas levaram em conta o currículo escolar, a formação acadêmica e a entrevista. Do Brasil, apenas dois inscritos foram escolhidos. Vitor Hugo recebeu bolsa que cobriu 60% dos custos da viagem de quatro semanas. "Foi uma dádiva receber essa premiação. Minha família está orgulhosa".

Com a habilitação para concorrer na etapa mundial, Vitor Hugo recebeu como premiação os custos dessa sua segunda viagem internacional. Com a divulgação de seu feito, o estudante cubatense recebeu convite para estudar na Organização Educacional Farias Brito, em Fortaleza, no Ceará, no curso preparatório para os principais vestibulares do País. Sua meta é ingressar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (Ita), em São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

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