Cubatão

Curta de Cubatão discute o envelhecimento feminino a partir de histórias reais

Produção aborda memória, identidade e os desafios das mulheres ao longo da vida no município

Luna Almeida

Publicado em 10/01/2026 às 04:19

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Mulher, Rainha das Serras será lançado na próxima segunda-feira (12), no YouTube / Freepik

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Há pouco mais de cinco décadas, Edileuza Maria dos Anjos deixou São Lourenço da Mata, em Pernambuco, rumo a Cubatão, no litoral paulista. A viagem, feita ao lado do marido — com quem havia se casado apenas um dia antes — marcou o início de uma nova trajetória. 

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Hoje, aos 73 anos, a dona de casa é a protagonista do curta-metragem Mulher Rainha das Serras, que propõe uma reflexão sobre o envelhecimento feminino no município.

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A obra nasceu de uma inquietação pessoal. “A principal inspiração para o filme é a história da minha mãe, que veio para Cubatão e construiu a sua família. Hoje eu vivo esse limiar de acompanhar o envelhecimento dela e de outras mulheres, inclusive o meu. A partir disso, surgiu a pergunta: quais são as condições básicas que temos para envelhecer em Cubatão?”, explica Mara Anjos, idealizadora e diretora do curta.

Edileuza representa uma das milhares de mulheres nordestinas que migraram para Cubatão em busca de melhores condições de vida, especialmente entre as décadas de 1970 e 1980, período marcado pela construção das rodovias Anchieta e Imigrantes e pela consolidação do polo industrial da cidade.

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“Cheguei a um lugar desconhecido apenas com meu marido. No começo foi um choque, mas com o tempo fui criando raízes. Hoje, envelhecer aqui, cercada pela minha família, é uma honra. Tudo o que construí, meu amor e minha paz, estão aqui”, relata Edileuza, moradora da Vila Elizabeth.

Além da protagonista, o curta reúne depoimentos de outras mulheres de Cubatão, que compartilham suas vivências, expectativas e percepções sobre envelhecer na cidade, destacando também a contribuição feminina para o desenvolvimento local. 

Com 13 minutos de duração, o filme é conduzido por lembranças afetivas, reflexões pessoais e relatos que evidenciam, ainda, a perspectiva da mulher negra.

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“O filme surge do encontro entre consciência social, responsabilidade e o reconhecimento da mulher como construtora de direitos, memória e dignidade. É um gesto de valorização dessa mulher que luta diariamente por espaço e protagonismo, mesmo diante de tantos obstáculos. Em cada depoimento, encontrei uma força imensa, que me envolveu de forma profunda e verdadeira”, afirma Celina Silva, produtora executiva da obra.

Lançamento e exposição

Mulher, Rainha das Serras será lançado na próxima segunda-feira (12), no YouTube. A produção também contará com uma exibição especial e uma exposição fotográfica com imagens captadas durante as gravações, previstas para o dia 20.

O curta foi viabilizado por meio da Lei Paulo Gustavo em Cubatão, iniciativa do Ministério da Cultura voltada ao fortalecimento do setor cultural, com recursos distribuídos por editais, chamamentos públicos, prêmios e contratação de serviços artísticos.

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Mulheres e envelhecimento em Cubatão

Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, entre os moradores de Cubatão com mais de 60 anos, as mulheres são maioria: são 8.172 moradoras nessa faixa etária, contra 6.199 homens.

A cidade tem população total de 112.476 habitantes, sendo mais da metade formada por pessoas negras — 66.947 moradores se autodeclaram pretos ou pardos.

Envelhecimento no Brasil

No cenário nacional, as mulheres também vivem mais. A expectativa de vida feminina é de 79,7 anos, enquanto a masculina é de 73,1, segundo o IBGE. Elas representam mais de 50% da população brasileira com mais de 60 anos.

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O tema ganhou destaque recente ao ser abordado na redação do Enem do ano passado, quando os estudantes refletiram sobre os desafios e as perspectivas do envelhecimento na sociedade brasileira.

Apesar da maior longevidade, especialistas alertam que as mulheres enfrentam obstáculos significativos para envelhecer com qualidade, como desigualdades sociais, raciais e de gênero, sobrecarga de cuidados e maior incidência de doenças crônicas, incluindo depressão, diabetes e hipertensão.

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