Cubatão

Cubatão deixa de ser 'cidade de passagem' para virar motor econômico da região

A proposta da cidade é a integração entre o planejamento municipal e a pauta portuária como estratégia para a geração de novos empregos e renda local

Nathalia Alves

Publicado em 30/03/2026 às 13:00

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Com foco em qualificação profissional e ordenamento territorial, município busca transformar o avanço retroportuário em qualidade de vida para a população / Luana Fernandes/DL

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O avanço das atividades portuárias e a expansão das áreas retroportuárias na Baixada Santista colocam Cubatão no centro de uma transformação econômica que pode redefinir o papel do município na região. 

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Tradicionalmente vista como um ponto de passagem entre o Porto de Santos e a capital paulista, a cidade agora busca se consolidar como um polo de riqueza, oportunidades e qualidade de vida.

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O tema foi discutido em reunião realizada na última segunda-feira (23), com a participação do deputado federal Fernando Marangoni, do secretário de Governo de Cubatão, Guilherme Amaral, e do ex-prefeito Ademário Oliveira. 

No encontro, foram debatidos os impactos do crescimento logístico, a importância dos retroportos e a necessidade de regulamentação do setor.

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Retroportos impulsionam nova dinâmica econômica

Considerados peças-chave na engrenagem logística, os retroportos são áreas fora da zona primária dos portos, utilizadas para armazenamento, triagem e desembaraço de cargas. Segundo Marangoni, essas estruturas são fundamentais para garantir a eficiência das operações e evitar gargalos no sistema.

“O porto precisa de agilidade. Se toda a operação fica concentrada na área principal, há perda de produtividade. Os retroportos ajudam a desafogar esse sistema”, explica o deputado.

Com a limitação de espaço em cidades como Santos e Guarujá, Cubatão surge como alternativa natural para a expansão dessas atividades. “A tendência é que o município ganhe protagonismo nos próximos anos”, afirma.

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De corredor logístico a cidade de oportunidades

Para o secretário de Governo, Guilherme Amaral, o momento exige planejamento para que o crescimento econômico se traduza em benefícios reais para a população. 

A administração municipal já iniciou uma reestruturação para integrar as pautas portuárias ao planejamento econômico, com foco em empreendedorismo e ordenamento territorial.

“Cubatão não pode ser apenas um corredor logístico. Precisamos garantir que a riqueza gerada fique na cidade e se transforme em qualidade de vida, emprego e desenvolvimento”, destaca Amaral.

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Entre as medidas adotadas estão a criação de uma estrutura voltada ao empreendedorismo e o uso de instrumentos como o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), que exige contrapartidas de empresas interessadas em se instalar no município.

Regulamentação e novos investimentos

Outro ponto central para o avanço do setor é a regulamentação das atividades logísticas no Brasil. Atualmente, o segmento, responsável por cerca de 4% do PIB, ainda não possui uma legislação específica.

Relator do Projeto de Lei 3757, Marangoni afirma que a proposta está em fase final de tramitação na Câmara dos Deputados. “A regulamentação é essencial para garantir segurança jurídica, atrair investimentos e organizar o setor”, pontua.

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A expectativa de aumento no fluxo de cargas, impulsionada por acordos internacionais como o tratado entre Mercosul e União Europeia, também pressiona por mais organização. “Esse crescimento precisa vir acompanhado de planejamento. Caso contrário, pode gerar gargalos”, alerta o deputado.

Desafios: infraestrutura e qualificação profissional

Apesar do cenário promissor, o crescimento traz desafios. A cidade, cortada por importantes rodovias como a Anchieta e a Imigrantes, já enfrenta problemas de mobilidade que podem se intensificar com o aumento da atividade logística.

“É fundamental que município, estado e União atuem de forma integrada para minimizar impactos no trânsito, no meio ambiente e no uso do solo”, reforça Marangoni.

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Outro ponto estratégico é a qualificação profissional. A prefeitura tem buscado parcerias com instituições como SENAI e Etecs para preparar a população local para as novas oportunidades que devem surgir com a chegada de novos empreendimentos.

“Não basta atrair empresas. É preciso garantir que os moradores tenham acesso aos empregos gerados”, afirma Amaral.

Novo ciclo de desenvolvimento

Com planejamento, investimentos e regulamentação, Cubatão tem a oportunidade de entrar em um novo ciclo de desenvolvimento. A meta é deixar de ser apenas um elo logístico e se tornar um município que concentra riqueza, gera empregos e oferece melhores condições de vida à população.

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“Se fizermos isso da forma correta, Cubatão pode se consolidar como um dos principais polos logísticos do país, mas, acima de tudo, como uma cidade de oportunidades”, conclui Marangoni.
 

 

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