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‘A Covid-19 serviu para eu travar uma boa luta e guardar minha fé’, diz Dr. Paiva, de Cubatão

Em entrevista à Gazeta, Dr. Paiva conta a experiência com a Covid-19, sobre o tratamento experimental e seus planos para o futuro

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01 AGO 2020Por Da Reportagem13h06
O otorrinolaringologista Eduardo Falcão Paiva Magalhães.Foto: Divulgação

Por Vanessa Zampronho

O otorrinolaringologista Eduardo Falcão Paiva Magalhães vinha atendendo seus pacientes todos os dias e tomando todas as precauções contra a Covid-19, até que um dia ele não se sentiu bem. Dr. Paiva, como é conhecido, foi diagnosticado com a Covid-19 e ficou 33 dias internado, passou pela UTI e foi entubado.

Mas, além do tratamento convencional, ele passou por um estudo experimental com plasma sanguíneo de pacientes que também ficaram doentes e se recuperaram. Nesse plasma, há anticorpos contra o coronavírus, que ajudam os mais graves a passar pela doença. O médico, que trabalha há 35 anos na cidade, já foi secretário de Saúde do município e hoje é pré-candidato à prefeitura pelo PSL.

Em entrevista à Gazeta, Dr. Paiva conta a experiência com a Covid-19, sobre o tratamento experimental e seus planos para o futuro.

- Quais foram os sintomas que o senhor teve e como foi o período com a Covid-19?
Depois de três meses do começo da doença, em uma segunda-feira, tive uma febrícula e um pouco de tosse, mas passou. Na sexta, no final do expediente, fiquei muito cansado, mas não era um cansaço comum, e também falta de ar. Fui ao hospital para fazer o teste de Covid, e o médico pediu uma tomografia. Quando saiu o resultado, meu pulmão estava totalmente comprometido. No momento que eu entrei, minha falta de ar piorou, cheguei a ir pra UTI e fiquei intubado. Foi meu calvário.

- Como foi o tratamento experimental com plasma?
Meu filho, que também é médico, me inscreveu no programa de investigação de pessoas com a forma mais grave da Covid-19, que é o tratamento com plasma. Três hospitais de ponta de São Paulo estão participando desse estudo. O tratamento é a inoculação de plasma de pessoas que tiveram a doença e se recuperaram. Faz muito sentido, esse plasma pode ajudar os pacientes mais graves. Mas em nenhum momento deixei de fazer o tratamento convencional. Espero que, depois de comprovado o tratamento, ele possa ser utilizado em mais pacientes.

- O que o senhor leva dessa experiência?
Tive muita perda de peso, perdi 15 quilos, e tenho dificuldade para respirar. Faço fisioterapia respiratória pesada, o pulmão de quem tem Covid-19 tem dificuldade de expandir, ainda fico muito cansado. Agora eu sei as agruras pelas quais passam esses pacientes, senti na pele. Serviu para travar uma boa luta e guardar a fé, só Deus mesmo. Graças a Deus estou voltando, e vou encarar aquela prefeitura.

- Qual é seu plano de governo?
Eu não tinha intenção de entrar na eleição, mas quando comecei a ver os absurdos aqui, isso me motivou a tentar um cargo majoritário para devolver à cidade o que ela me deu. O grande problema de Cubatão hoje é a dificuldade de acesso da população aos serviços essenciais. A pessoa tem que ter acesso da melhor forma possível. A atual gestão desarticulou o atendimento a especialidades médicas. Desde que me aposentei pela prefeitura em 2013, não foi contratado ninguém. A cidade está feia, esburacada, as calçadas oferecem risco para as pessoas, especialmente para quem tem dificuldade de locomoção, as escolas estão sucateadas, os professores estão desestimulados, e há uma tendência de privatização de tudo. Não vejo outra saída, é educação, educação e educação, para melhorar a vida das pessoas.