Zona Noroeste de Santos convive com problemas antigos

Terrenos abandonados viram lar de moradores de rua e Santos Novos Tempos caminha devagar

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30 MAI 201510h39

Terrenos e espaços públicos abandonados e alagamentos devido à subida da maré.  A Zona Noroeste de Santos segue convivendo com antigos problemas.

A Praça dos Ex-combatentes, no Jardim Castelo, está em más condições. Apesar de estar cercado por muros, o local é frequentado por moradores de ruas. Usuários de drogas também já foram vistos. A reportagem do Diário do Litoral flagrou até um cavalo na praça abandonada.

Já na calçada ao redor do espaço público, lixo e entulho acumulam. Desde madeira até partes de uma televisão foram deixados ao lado do muro.

Na Avenida Jovino de Mello, frequentadores da Igreja Santa Margarida Maria relataram que a subida da maré continua resultando em alagamentos na região.

As obras do Programa Santos Novos Tempos, que promete acabar com os problemas de alagamento na Zona Noroeste, ainda não chegou ao local.

Ao passar pelo canal da avenida, na quinta-feira (28), o nível da água era alto, apesar da pouca quantidade de chuva. O cenário encontrado na igreja pode ser visto em diversos pontos da Zona Noroeste.

Em outro ponto, um terreno abandonado na Rua Engenheiro Manoel Ferramenta Júnior, na Areia Branca, tem incomodado os vizinhos.

De acordo com moradores, o local não possui nenhum tipo de manutenção desde o fim do Carnaval. “Naquela época, foi a própria Prefeitura quem fez o serviço, não foi nem o dono do terreno. Mas, desde que acabou o Carnaval, ficou assim jogado”, relata um morador, que não quis se identificar.

Ele contou que muitos vizinhos acabaram contraindo dengue e suspeitam que a culpa seja da água parada no espaço abandonado.

Terreno abandonado acaba se tornando possível foco de dengue (Foto: Luiz Torres/DL)

Além disso, um grupo de moradores de rua invadiram o local. A reportagem flagrou barracas improvisadas dentro do terreno e apurou que cerca de 10 pessoas moram ali.
Posicionamento da Prefeitura

Em relação a Praça dos Ex-combatentes, a Subprefeitura da Zona Noroeste informou que irá realizar serviços de limpeza e capinação no local. Sobre o cavalo flagrado pela reportagem, a Administração disse que enviou fiscal até o local e não encontrou nenhum animal.

Já sobre o terreno da Rua Engenheiro Manoel Ferramenta Júnior, a Prefeitura explicou que irá intimar o proprietário a murar e manter limpo o terreno, sob pena de multa.

Na questão dos moradores de rua vistos nos dois locais, a Secretaria de Assistência Social informou que, como orienta a política nacional para a população em situação de rua, esse público é abordado pela equipe de rua, que tenta convencê-lo a entrar na rede sócio assistencial. A Secretaria ressaltou que não faz a retirada compulsória.
Alagamentos

A Administração Municipal garantiu que o programa de macrodrenagem da Zona Noroeste está em andamento e vai extinguir em definitivo com o problema de alagamentos que se estende há décadas.

Atualmente, as obras da fase II acontecem atualmente na Avenida Haroldo de Camargo e no Rio São Jorge onde, 80 % dos serviços de dragagem já foram executados. A Avenida Martins Fontes (entrada da cidade) também está com obras programadas para o segundo semestre deste ano.

De acordo com a Prefeitura, a Avenida Jovino de Mello se encontra na fase III do projeto. Ela contempla a construção de várias estações elevatórias com comportas: a primeira, na confluência dos canais da Avenida Jovino Melo com o da Roberto Molina Cintra; uma segunda, na foz do canal desta última avenida no Rio São Jorge; uma terceira, na confluência dos canais da Avenida Hugo Maia com o da Avenida Jovino de Melo; uma quarta, na foz do Canal da Avenida Jovino de Melo no Rio São Jorge. As obras da fase III aguardam captação de recursos.

Segundo a Administração, somente após o final de todas as etapas é que haverá uma solução definitiva. Também se pede a conscientização e colaboração da população para não jogar lixo nas ruas, pois em situação de fortes chuvas os problemas de alagamentos tendem a piorar quando a sujeira atinge galerias de águas pluviais.