Cotidiano

Vulcão 'zumbi', na América do Sul, corre risco de erupção após 250 mil anos inativo

Uturuncu, na Bolívia, apresenta sinais de instabilidade, mas especialistas apontam baixa probabilidade de erupção

Luna Almeida

Publicado em 28/11/2025 às 21:57

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As análises apontam taxas de elevação de até 10 milímetros por ano no ponto central do sistema vulcânico / Wikimedia Commons/Ceky

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O silêncio que envolvia o Uturuncu, vulcão adormecido há mais de 250 mil anos na Cordilheira dos Andes, voltou a ser questionado. Pesquisadores investigam há três décadas o motivo de sua súbita atividade sísmica e emissão de gases, fenômenos que reacenderam dúvidas sobre o real estado do gigante boliviano e o risco de uma eventual erupção.

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Nos últimos anos, medições por satélite e GPS revelaram que o solo ao redor do vulcão vem sofrendo deformações. 

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A elevação da área central e o afundamento das bordas criam um formato semelhante a um sombrero, comportamento considerado incomum e que motivou estudos aprofundados publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Outros estudiosos associam as recentes mudanças em vulcões, que antes estavam adormecidos, às mudanças climáticas

O que está acontecendo no Uturuncu

As análises apontam taxas de elevação de até 10 milímetros por ano no ponto central do sistema vulcânico, índice elevado para uma estrutura considerada extinta por milhares de séculos. 

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Combinando sismologia, modelagem física e estudo da composição das rochas, equipes de pesquisa dos Estados Unidos, China e Reino Unido identificaram que o movimento de magma e gases sob a cratera é responsável pelos tremores e sinais de atividade.

A investigação sugere que líquidos e gases estão se deslocando no interior do vulcão, provocando a instabilidade observada. 

A preocupação surge porque o Uturuncu está posicionado sobre o maior corpo de magma conhecido na crosta terrestre, o que aumentou o interesse científico pelo fenômeno.

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Há risco de erupção?

Segundo os pesquisadores envolvidos no estudo, a chance de uma explosão significativa é considerada baixa. Mesmo assim, uma erupção no local poderia causar danos generalizados e colocar em risco populações próximas.

O coautor Mike Kendall, chefe do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Oxford, destacou que a combinação de métodos geofísicos e geológicos permite compreender melhor o comportamento dos vulcões e os riscos associados a eles. 

Para a comunidade científica, o Uturuncu se torna um laboratório natural importante para entender como estruturas aparentemente adormecidas podem voltar a apresentar sinais de vida.

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O monitoramento deve seguir intensificado, já que a atividade recente demonstra que mesmo gigantes silenciosos podem guardar dinâmicas complexas no subsolo andino.

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