Cotidiano

Vovó de 101 anos é proibida de comer purê e asilo diz que 'faz mal à saúde'

A instituição veta doce alegando diretrizes de saúde e impacto ambiental; moradores se mobilizam em doações e governo questiona decisão

Giovanna Camiotto

Publicado em 22/01/2026 às 00:30

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Essa vovó de 101 anos ficou triste por parar de consumir purê de maçã todos os dias / Gemini AI

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O que deveria ser um almoço tranquilo no centro de cuidados Cleijenborch, na Holanda, transformou-se em uma batalha por autonomia e tradição. A direção da instituição decidiu banir o purê de maçã (appelmoes) do cardápio dos residentes, alegando que o produto é "pouco saudável" e que as embalagens plásticas individuais prejudicam o meio ambiente. A medida, no entanto, atingiu em cheio uma moradora de 101 anos que consome o doce diariamente há décadas.

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A decisão gerou indignação imediata em Rian Krijger, neta afetiva da centenária, que lançou a "Operação Purê de Maçã". Inconformada com a proibição imposta por diretrizes de um novo "conceito nutricional" da casa, Rian mobilizou a vizinhança para arrecadar potes do doce e entregá-los pessoalmente aos idosos.

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“Minha avó chegou aos 101 anos comendo purê de maçã todos os dias. Façam isso com os jovens, que sofrem com a obesidade, não com quem já passou de um século”, desabafou ela à imprensa local.

O purê de maçã é um acompanhamento clássico na culinária europeia, mas virou pivô de uma polêmica após ser banido de um asilo por conter muito açúcar/Pexels
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Especialistas em longevidade defendem que o bem-estar emocional e pequenos prazeres à mesa são fundamentais para a qualidade de vida na terceira idade/Pexels
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A mobilização popular em torno da idosa de 101 anos acendeu o debate sobre até onde as instituições podem interferir na dieta de residentes centenários/Pexels
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Tradicionalmente feito apenas com maçãs cozidas e canela, o purê industrializado entrou na mira de nutricionistas devido ao alto índice de conservantes/Pexels
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A 'revolta do purê' na Holanda mostra como decisões administrativas baseadas em diretrizes de saúde podem ignorar o contexto cultural e afetivo dos idosos/Pexels
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Mobilização social

O caso escalou rapidamente e chegou aos ouvidos da vice-primeira-ministra holandesa, Mona Keijzer. Em suas redes sociais, a autoridade ironizou a rigidez da instituição ao perguntar: "O dia 1º de abril chegou mais cedo este ano?", referindo-se ao absurdo de privar idosos em estágio avançado de vida de pequenos prazeres gastronômicos.

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Pressionado pela repercussão negativa e pela "invasão" de doações iniciada pela comunidade, o asilo recuou em parte da narrativa. Agora, a gerência estuda passar a cozinhar o próprio purê de maçã de forma artesanal, para garantir que seja uma opção mais saudável e livre de conservantes.

Para os familiares, no entanto, o episódio serve como um alerta sobre a importância de respeitar a vontade e o bem-estar emocional daqueles que já cruzaram a marca dos cem anos.

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