Volume de gás era 5 vezes maior no dia da explosão em prédio

Na avaliação dos técnicos, esse aumento abrupto não configuraria um vazamento por problemas de manutenção

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21 MAI 201512h06

O volume de gás consumido no apartamento que explodiu há três dias em São Conrado, na zona sul do Rio, era cinco vezes maior no dia do incidente do que a média histórica mensal utilizada pelo alemão Markus Bernard Maria Muller. No dia da explosão, técnicos da Companhia Estadual de Gás (CEG) constataram que 30 metros cúbicos de gás haviam sido consumidos, enquanto a média mensal de consumo do apartamento era de 6 metros cúbicos - volume verificado em medição no dia 12.

Na avaliação dos técnicos, esse aumento abrupto não configuraria um vazamento por problemas de manutenção.

Tentativa de suicídio e ação criminosa são consideradas pela Polícia Civil como hipóteses do vazamento de gás na cozinha que causou a explosão no apartamento 1.001 do Edifício Canoas. Peritos estiveram mais uma vez no local nesta quarta-feira, 20, para exames complementares.

A polícia analisa imagens de câmeras de segurança para verificar se, na noite anterior à explosão, Muller, de 51 anos, recebera visita no apartamento 1.001, onde mora.

(Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)

Com 50% do corpo queimado, o alemão segue internado no Centro de Tratamento para Queimados do Hospital Pedro II, em Santa Cruz (zona oeste) em estado grave. Além das queimaduras, ele apresenta lacerações espalhadas pelo corpo. Para a polícia, os ferimentos podem ter sido causados por agressão ou eventual tentativa de suicídio.

Um porteiro que estava no edifício não relatou nada de anormal, segundo policiais civis. Funcionários e moradores do prédio também estão sendo ouvidos. Todos descreveram Muller como uma pessoa "muito reservada". A proprietária do apartamento onde ele mora também já prestou depoimento.

Obras

A Prefeitura do Rio encerrou na quarta-feira a remoção de cerca de 70 toneladas de escombros do Edifício Canoas e, com isso, o engenheiro Antero Jorge Parahyba assumiu as obras de restauro. Para ele, o edifício só deve ter condições plenas de habitação em cerca de três meses.

"A reocupação será gradativa. Vamos planejar os primeiros procedimentos de restauro, todas as instalações terão que ser verificadas e reestabelecidas", declarou.

Parahyba disse que, além do restauro de elevadores e instalações elétricas, hidráulicas e de gás, será preciso escorar as lajes do edifício.

O secretário municipal de Coordenação de Governo, Pedro Paulo Teixeira, afirmou que será estabelecido "canal direto" para que as licenças necessárias à obra saíam com rapidez e "gerem o menor transtorno possível".

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