Volta de cobradores elevará custo da tarifa, diz CET

Conforme apontou o presidente da empresa, Rogério Crantschaninov, o valor da passagem passaria de R$ 3

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21 MAR 201111h48

A queixa é bem antiga e apontada como um dos percalços do sistema de transporte público santista; porém a volta dos cobradores em ônibus municipais foi categoricamente descartada pelo presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos, Rogério Crantschaninov. Para isso, ele apontou razões financeiras e ganhos mínimos na fluidez do trânsito com o retorno da categoria profissional, extinta há quase duas décadas.

Pelos cálculos do mandatário do órgão, a volta dos cobradores implicaria em reajuste na tarifa, que recentemente teve a majoração de 6%. “Haverá um peso na mão de obra e a passagem não sairia por menos de R$ 3,00”, ponderou Crantschaninov. O eventual retorno de cobradores à frota santista foi um dos temas abordados na audiência realizada na Câmara de Santos sobre transporte público, no final do mês passado.

O presidente da CET ponderou ainda que a folha de pagamento compõe o maior peso nas planilhas de custo tarifário. O pagamento da mão de obra reflete em até 45% do total da atual tarifa (dos R$ 2,65 pagos pelo usuário, pelo menos R$ 1,22 é destinado aos custos trabalhistas). Segundo frisou, os repasses com a contratação de funcionários seriam pagos pelos usuários nos próximos aumentos, que “seriam substanciais”.

Por sua vez, o vereador Adilson Júnior (PT), responsável pela convocação do encontro, reagiu de forma adversa ao posicionamento do órgão santista. “O que chama a atenção é que não vimosas mesmas quedas substanciais nas tarifas após a retirada dos cobradores”, desabafou.

Outro ponto que mantém afastado os cobradores dos coletivos santistas recaiu sobre uma fria (e duvidosa) análise do presidente da CET. Para Crantschaninov, os motoristas não exercem dupla fusão a liberarem a catraca após pagamento da passagem. “Eles (os motoristas) não dão troco enquanto dirige”, destacou.

As afirmações do mandatário da CET são facilmente contestadas por quem embarcar em qualquer circular em Santos (ou nas demais cidades que não obrigam a contratação de cobradores). Habitualmente, os condutores dão partida aos veículos enquanto fazem a contagem do troco aos usuários.

Por outro lado, Crantschaninov rebateu que até 56% das passagens são pagas por meio de cartões eletrônicos, que são carregados previamente. “Mesmo assim, estamos falando de uma massa de quase a metade dos que utilizam o sistema que pagam em dinheiro”, posicionou-se o vereador Reinaldo Martins (PT).

Cubatão

E justamente a volta de cobradoras no transporte público de Cubatão foi um dos pontos altos que o Diário do Litoral apurou, durante a série de matérias sobre o serviço regional. “A volta dos cobradores teve como intuito retomar a humanização dos serviços”, destacou a assessora jurídica da CMT de Cubatão, Renata Almeida dos Santos. A alteração também agradou aos passageiros, que citaram reduções significativas no tempo de viagem.

Contudo, Crantschaninov frisou que seria “injusto” analisar o transporte público em municípios distintos. “Não conheço o sistema de outras cidades. Então, não tem como comparar”. Ele também afastou a possibilidade de subsídios dos cofres públicos municipais para arcar com as possíveis despesas. “Será que valeria a pena Santos arcar com milhões que poderia ser investido em outras áreas apenas para reduzir dez centavos da tarifa”, indagou o presidente da CET.

Como forma de redução tarifária, ele defendeu a isenção de impostos, que correspondem até 25% da tarifa. Maior fiscalização a fim de evitar fraudes também foi defendida. “Em cada quatro passageiros, pelo menos um não paga a passagem. Na cidade, 96% das gratuidades são de idosos. Estes valores são repassados aos usuários”, disse.